
Terceira Semana
Jerusalém, quantas vezes quis reunir teus filhos!
Tema da semana
Um dos aspectos mais singelos da missão de Jesus foi a revelação de um Deus misericordioso. Sua palavra e ação convidavam seus ouvintes a uma experiência de um Deus que ama e acolhe. Um Deus cuja ação amorosa leva a criatura a se deparar com suas próprias misérias, não para se fechar, mas para tomar consciência de que sem a graça divina que recria, não há conversão do coração, não há mudança de vida. Nesta semana somos convidados a contemplar a realidade do pecado que impossibilita acolher a misericórdia. Jesus presenciou esta realidade. Porém o Deus de Jesus Cristo é o Deus que tudo espera, sem desanimar, aguarda pelo retorno daquele que está distante. Ele deseja que todos estejam cada vez mais unidos a Ele, assim como Jesus que chegou a afirmar: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). Neste sentido, seu ministério foi um convite a que estivéssemos também unidos a Ele, como Ele está unido ao Pai. Por isso, as lamentações de Jesus sobre Jerusalém nos falam de sua paciência, mas também de sua tristeza. Muitas vezes tentou reunir os filhos da Aliança. E a resposta foi a rejeição. Foi até os habitantes de Jerusalém; estes, porém, em vez de acolhê-lo, o rejeitaram, permanecendo irredutíveis em sua posição. Por isso Jesus suspira, impotente, prevendo a catástrofe pela qual passariam os habitantes da cidade santa.Graça da semana
Dai-me Senhor a graça de reconhecer os meus pecados, a força que eles exercem sobre mim. E a graça de sentir o amor misericordioso do Pai que me envolve e recria.
Textos para a semana
1º. Dia
Lucas 13, 31-35 – Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas
Jesus está subindo para Jerusalém e ali enfrentará a morte. Pedem-lhe que se afaste dali, pois Herodes deseja matá-lo. Mas Jesus está consciente de que sua vida não é determinada pelas forças que prevalecem neste mundo. Antes, Ele tem um compromisso com o Pai que lhe confia uma missão e com a humanidade necessitada de salvação. Porém sua mensagem encontrará resistência, como encontrou a dos profetas. Diante da iminência de sua morte e da impossibilidade do evangelho entrar na vida das pessoas, Jesus contempla Jerusalém e chora sobre a cidade. Profetisa sua destruição como consequência da rejeição à verdadeira vida, oferecida por Ele. Contemplo Jesus e vou me perguntando: em que momentos eu tenho me comportado como a cidade de Jerusalém? Posso rezar também 2Cr 24, 18-22 e perguntar se este relato diz algo à minha fé.2º. Dia
O pecado é uma loucura
Leio agora os textos de Lucas que falam da loucura e insensatez do pecado:
Lc 11, 40: Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior?
Lc 12, 20: Mas Deus lhe disse: Insensato! Ainda nesta noite, tua vida te será tirada. E para quem ficará o que acumulaste? Preocupar-me com as atitudes exteriores, as aparências, e despreocupar-me das atitudes interiores, sérias e graves diante de Deus, é loucura. Deixar-me levar pela soberba impede o conhecimento do Reino e me torna incapaz de experimentar a verdade profunda do Evangelho. O pecado é, portanto, insensatez, auto-suficiência. Como matéria para a oração, perpasso os sete pecados capitais e suas virtudes opostas. Sinto a força de cada palavra dentro de mim. Passo palavra por palavra, sem pressa de ir adiante. Trago à memória lembranças, experiências, situações em que as palavras meditadas abaixo estiveram presente.
Sete pecados: |
Sete virtudes: |
1.Orgulho |
1. Humildade |
2.Inveja |
2. Caridade para com o próximo |
3. Ira |
3. Mansidão |
4. Avareza |
4. Generosidade |
5.Luxúria |
5. Castidade |
6.Intemperança (gula) |
6. Temperança |
7. Indolência espiritual (preguiça) |
7. Zelo, fervor |
Ao final da oração, faço uma conversa com o Senhor, pedindo seu perdão. Peço ainda a graça de me regenerar deste ou daquele pecado e a disposição para exercitar-me naquela virtude que sinto ainda não fazer parte da minha vida.
3º. Dia
Lucas 13, 1-9 – A dureza do coração e a paciência de Deus
Oposta à dureza do meu coração, que necessita de conversão, está a paciência insondável de Deus, aguardando o dia em que voltarei a Ele. Uma parábola oriental pode me ajudar a reconhecer minhas limitações bem como a desvelar o rosto paciente de Deus:Um dia, Abraão convidou um mendigo para uma refeição em sua tenda. Quando estavam dando graças, o homem começou a blasfemar contra Deus, afirmando não suportar ouvir Seu Nome.
Tomado de indignação, Abraão expulsou o blasfemo. Quando estava fazendo suas orações à noite, Deus lhe disse: “Esse homem tem blasfemado e me insultado por cinquenta anos e, no entanto, alimento-o todos os dias. Será que você não poderia tê-lo suportado durante uma única refeição?” (Anthony de Mello).4º. Dia
Lucas 7, 36-50 – Os muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou
No presente relato, Lucas apresenta a unção de Jesus como lugar de perdão e de conversão. No encontro com Ele se manifesta a misericórdia de Deus. E os destinatários são todos aqueles que, capazes de acolher o amor misericordioso de Deus, dão nova orientação às suas vidas. O amor é a manifestação do perdão recebido. O gesto exagerado da mulher é o reconhecimento de que um amor muito mais abundante foi derramado sobre ela. Amor este que a refez como pessoa. O amor tem capacidade regeneradora. Sentir-se pouco amado, não pelo amor, mas pela incapacidade de acolhê-lo, faz com que aquele que é pouco amado, também manifeste pouco amor, um amor doentio. No exercício de contemplação, vejo as pessoas, ouço o dizem, olho o que fazem, e converso com elas, com o Senhor, olhando o que tudo isso desperta em mim mesmo.5º. Dia
Lucas 15, 1-3.11-32 – O amor do Pai
A missão de Jesus é buscar o que está perdido, separado do convívio dos irmãos e de Deus. Sua ação é manifestar o amor misericordioso de Deus, amor este que restitui a alegria àquele que, trilhando seus próprios caminhos, se desgarrou do aconchego paterno. É mostrar que o Pai é solidário com os que retornam à casa e, por isto, os acolhe com alegria. Não se trata apenas do reencontro, senão da conversão do coração. Da disposição e do desejo de reatar os laços desfeitos, as relações cortadas, a confiança machucada e o amor ferido. O importante é que o pai está mais preocupado como retorno do filho – preocupação esta que se traduzirá numa grande alegria em seu regresso – que com a mesquinhez causadora da separação.
6º. Dia
Oração de repetição
A proposta desta semana foi um convite a olhar minha história e perceber nela de que modo tenho escutado os apelos de Cristo e também se os tenho rejeitado. Assim, releio minhas anotações e permaneço naqueles pontos que mais me chamaram a atenção durante esta semana.
Estes folhetos são inspirados no livro:
CEI-Itaici. RETIRO QUARESMAL 2010.
Subir a Jerusalém: o caminho de ascensão do Discípulo-missionário.Para mais informações sobre retiros
e espiritualidade Inaciana, consulte o site: www.itaici.org.br