E FALANDO EM VOCAÇÃO...
Segue um belo testemunho vocacional, escrito por ocasião
do aniversário de
25 anos de vida religiosa de Pe. Bento Pavão OMV:
Cristo, eu também sou um homem mortal, igual a todos.
Sou descendente do primeiro que foi plasmado da terra. No ventre
de uma mãe fui esculpido em carne. Formado por teu divino
amor no seio materno; no dia em que nasci aspirei o ar que é
comum a todos. Como para todos, meu primeiro grito foram os vagidos.
Fui
envolto em faixas e mãos maternas que me cercaram de
cuidados e carinho. Eu ainda não sabia, mas eram as
tuas mãos que me acariciavam com carinho e amor.
Os
anos foram passando e eu fui pouco a pouco compreendendo o
teu chamado. Hoje aqui estou, agradecendo a vocação
que me destes: 25 anos de vida religiosa na Congregação
dos Oblatos de Maria Virgem, comemorados no silêncio
do coração e na fraternidade com os irmãos
que me destes, nesta noite de 30 de maio de 1996.
Nestes 25 anos de vida religiosa e 10 de ministério sacerdotal
quanto erros cometidos, quantas noites mal dormidas, quantas horas
perdidas...
Meu Bom Senhor, através de minha fraqueza fizeste maravilhas.
Quantos corações reconfortados. Quantas vezes levantaste
meu braço para, por meio de minhas mãos, abençoar,
perdoar ou levantar quem estava caído.
Na oração pedi e me deste o teu Santo Espírito.
Derramaste água no deserto de minha vida, transformando-o
em terreno fértil. Certamente ainda há muito terreno
pedregoso, muito deserto e muitas áreas cheias de espinhos
para serem transformadas pela tua graça em minha vida.
Senhor, é impossível descrever tudo o que realizaste
em minha vida nestes 25 anos consagrados ao teu serviço.
Mesmo que eu pudesse encontrar todas as palavras perdidas, as
que foram esquecidas e as que não foram inventadas, ainda
não conseguiria descrever tudo o que fizeste em mim e através
de mim.
E
a você que um dia me perguntou se valeu a pena, eu respondo
que sim. “A vida vale a pena enquanto temos uma razão
para vivê-la”. Ou, como diz o poeta: “Tudo
vale a pena, se a alma não é pequena”.
Como
foi o início de tudo? – O olhar sereno de Nossa
Senhora através da imagem da Imaculada Conceição,
na pequenina capela do sítio onde morava, foi cativando
o meu coração de menino para o coração
de seu Filho. Maria tem parte importante na história
de minha vocação.
Quero continuar discernindo os caminhos pelos quais Deus me
chama em cada situação, para responder ao seu chamado
com mais fé, humildade, coragem e... amor! Quero continuar
rezando, especialmente quando experimentar o apelo do Senhor me
convidando a alguma penosa conversão em alguma área
da minha vida.
Como me sinto agora? – Muito mais amado por Deus e atraído
pelo seu Reino. Estou cheio de esperanças, fundadas não
em meus méritos ou nas minhas forças, mas na força
de nosso Pai, cuja vitória gloriosa em Jesus Cristo eu
partilho através da vida de seu Espírito em meu
coração.
Quanto mais confio em Deus e deixo-lhe a condução
de minha vida, mais vou experimentando a esperança, na
minha pobreza e através dela; mas também para muito
além dela e de todo sofrimento e fraqueza. Essa experiência
me traz alegria e felicidade.
Das necessidades do povo nasce a missão; do chamado de
Deus a vocação; do amor a resposta e oferta da vida
para o serviço do Reino!
Pe. Bento Pavão, OMV
30 de maio de 1996