Pio Bruno Lanteri nasceu de uma família profundamente
cristã e de muito destaque na cidade de Cúneo, na
província italiana do Piemonte, aos 12 de maio de 1759.
Depois de uma profunda preparação espiritual e intelectual,
ordenado sacerdote em 1782, continuou e desenvolveu o apostolado
já iniciado quando estudante, sob a guia de Pe. Nikolaus
von Diessbach, jesuíta; e o exercitou com zelo incansável
por outros 40 anos, principalmente em Turim, mas irradiando a
sua atividade em muitas outras regiões da Itália,
França, Suíça e Áustria.
Animado por uma grande fé e caridade, auxiliado por um
exército de padres e leigos – por ele formados e
orientados espiritualmente – dedicou-se ao conforto dos
pobres, dos doentes, dos encarcerados, dos marginalizados; também
teve particular atenção pelos estudantes universitários,
devido ao importante papel destes na crítica da sociedade;
soube suscitar entre os leigos verdadeiros apóstolos que
lutassem pelo Reino de Deus em meio aos desafios do mundo, através
de uma ação eficaz e competente, alicerçados
na fé, esperança e caridade.

Com
as associações que animava – que tinham
o nome de “Amizades” – organizou a atividade
dos leigos católicos para a defesa das verdades do Evangelho,
razão pela qual os papas Pio XI e João XXIII o
saudaram como precursor da atual Ação Católica
– que no Brasil encontra na Pastoral da Juventude um dos
“ramos” desse modelo pastoral; aproximou num vínculo
de amor jovens seminaristas e venerandos sacerdotes em duas
distintas “Amizades”, que se transformaram
em breve em duas autênticas escolas de santidade,
donde floriram tantos Santos que desde então alegram
o norte da Itália e toda a Igreja.
Patrocinou generosamente, com seus recursos pessoais, o apostolado
da “boa imprensa” (lembremos o alto custo para a impressão
e aquisição de livros por parte do povo e dos estudantes
naquela época), difundindo pequenas e grandes publicações
sobre a religião, a moral, as responsabilidades políticas,
entre outras obras, e teve a alegria de ver surgir os primeiros
jornais católicos da Itália.
Idealizou e preparou – com a ajuda de seu colaborador, o
também teólogo Luigi Guala – o célebre
Convitto Eclesiástico de Turim, uma espécie
de escola para os padres recém ordenados e ainda sem preparo
pastoral, que deu à Igreja muitos santos e solícitos
sacerdotes, entre os quais São José Cafasso, São
José Cottolengo e São João Bosco (Dom Bosco).
Como fruto dessa intensa atividade e desse incansável
amor a Deus e aos irmãos, Pe. Lanteri contagiou outros
sacerdotes. Em 1826 fundou a Congregação dos Oblatos
de Maria Virgem, que perpetuam esse seu carisma na história.
Tal carisma levou o Papa Pio XII a dizer: “O Padre Lanteri
brilha na história da Igreja com uma vida de serviço
admirável e coragem apostólica na defesa da fé
católica e heróica fidelidade ao Papa e ao ensinamento
da Igreja”.
João XXIII, o “Papa Bom”, assim descreveu Lanteri:
“O Padre Lanteri honrou a região do Piemonte,
que foi no século XVIII uma terra generosa e fecunda de
cristãos heróicos e de santos! Movido pelo duplo
amor, a Deus e ao próximo, inflamou-se do desejo ardente
de glorificar a Cristo, e não só foi diligente e
sagaz em planejar e realizar obras de grande utilidade para a
religião católica, mas antecipando-se às
necessidades dos tempos, com razão pode ser considerado
precursor da Ação Católica. Deve ser-lhe
tributado louvor perene também por ter fundado uma Família
Religiosa operosa e vital e por se ter preocupado com os jovens
sacerdotes, fazendo com que em Turim fosse aberta uma casa para
eles, na qual pudessem dedicar-se ao estudo das ciências
morais e ascéticas, e depois, munidos de maior bagagem
de saber e virtude, pudessem lançar-se nos campos e nas
batalhas do sagrado ministério”. E ainda o Papa
Paulo VI: “Tive a grande alegria de proclamar o Padre
Pio Bruno Lanteri Venerável, porque praticou na vida as
virtudes Teologais e Morais no grau heróico, isto no dia
23/11/1965 na véspera do encerramento do Concílio
Vaticano II”.
Pe. Lanteri morreu no dia 5 de Agosto de 1830, na cidade de Pinerolo,
cercado pelos seus religiosos Oblatos e sob o sorriso carinhoso
de Maria, a quem desde os seus quatros anos havia declarado uma
especial filiação. Durante sua vida e depois de
sua morte, gozou fama de grande santidade e à sua intercessão
se atribuem inúmeras graças e favores.