Pe. ÂNGELO CREMONTI, OMV
Ângelo Cremonti nasceu aos 24 de Janeiro de 1916. Foi ordenado
em 24 de junho de 1943, no Seminário Maior de Teologia
de Pisa, pela Congregação dos Oblatos de Maria Virgem.
No dia seguinte celebrava sua primeira Missa em louvor a São
João Batista.
Pe. Ângelo foi o primeiro padre da Congregação
a chegar no Brasil: em 25 de outubro de 1947, Pe. Ângelo
chegava ao bairro da Ponte São João, em Jundiaí/SP.
Ao ver a paróquia existente ficou desolado. As missas eram
rezadas poucas vezes, fazendo com que as pessoas se afastassem.
Durante mais de 5 anos trabalhou e morou sozinho na paróquia.
Seu "apartamento" era o coro da Igreja, pois não
existia ainda uma casa paroquial.
Ele desejava colocar a Paróquia sob o Manto Azul de Nossa
Senhora, difícil devoção a ser aceita pelos
fiéis.
Pe. Ângelo tinha muita fé em Nossa Senhora das Graças
e também que um dia o povo se aproximaria de seu manto,
mas para isso era necessário um milagre, e um milagre aconteceu.
Olga Siqueira estava com 12 anos e há 4 muito doente; definhava
a cada dia. Havia procurado vários hospitais e médicos
e Pe. Ângelo era sua última esperança. Então
o sacerdote a visitou e pediu que orasse com muita fé a
Nossa Senhora das Graças.
Em um dia de oração sofreu um desmaio e a Santa
lhe apareceu. Em sonho disse a Olga que ela tinha uma missão
a cumprir. Ao acordar sentiu fome, tomou um prato de sopa. Estava
curada!
Pe. Ângelo então começou a contar esse milagre
nas missas. Foi assim o início da devoção
à Nossa Senhora das Graças. Outros milagres aconteceram.
Por tudo isso as missas de Nossa Senhora das Graças, realizadas
todos os dias 27, ficavam lotadas. Após a missa, o padre
distribuía uma garrafa de água abençoada.
Além de guia espiritual, se preocupava com a cultura, educação
e benfeitorias para sua comunidade. Chegou a tirar o seu colchão
da cama e dormir no estrado, além de dar o seu próprio
cobertor. Conseguiu empregos, internações, consultas
e bolsas de estudos.
Ele pode ser considerado responsável pelo progresso da
Ponte São João. Fundou a primeira escola do bairro,
numa modesta sala de refeições ao lado de seu quarto
de dormir em 1962 - Escola Paroquial Nossa Senhora das Graças
- hoje o SESI.
Na área cultural fundou a banda São João
Batista e um cinema que se transformou no Alvorada.
Pensando em cuidar da saúde de seus paroquianos, montou
um gabinete dentário, ambulatório médico-farmacêutico
e dispensário.
O Jornal Paróquia em Marcha também é de sua
iniciativa: há aproximadamente 40 anos cumprindo seu papel.
Inovador, fundou em 1967 o Movimento Jovem na Paróquia,
o Clube da Juventude Alegre. Achava que o jovem deveria ser alegre
e fazer parte da Igreja.
Achando que uma só igreja era pouco, conseguiu terrenos
em pontos estratégicos e construiu três capelas (Vila
Nambi, Vila Aparecida e Jd. Pacaembu).
Também é responsável pelo viaduto da Ponte,
conseguindo junto ao prefeito da época – Vasco Antonio
Venchiarutti – calçamentos, ruas e demais benfeitorias
no bairro.
Iniciou a construção da nova Matriz. Em 1970 partiu
para São Paulo deixando a construção em andamento.
Representante superior geral da Congregação dos
Padres Oblatos de Maria Virgem, instalou outras casas em diversas
cidades.
Com sua partida, os fiéis se sentiram desamparados, parecendo
que haviam perdido alguém da família; mas dizendo
que não iria abandonar sua paróquia, vinha uma vez
por mês celebrar a missa.
Pe. Ângelo faleceu em 06 de setembro de 1983, foi sepultado
em São Paulo num túmulo de uma família que
lhe cedeu o espaço. Com o cinqüentenário de
sua chegada ao Brasil e da devoção à Nossa
Senhora das Graças, intensificou-se os esforços
para o translado de seu corpo para Jundiaí, e assim foi
feito. Seus restos mortais ficaram em vigília durante toda
a noite, e todas as missas foram de corpo presente. E foi sepultado
com todas as homenagens que lhe faltaram em 22 de novembro de
1997.
Confira também a homilia pronunciada por Pe Ângelo
Cremonti, por ocasião da comemoração dos
25 anos de devoção a N. Sra. das Graças,
no dia 25 de novembro de 1972. Clique
aqui.