UMA PARÁBOLA
Andando pela vida, um homem caiu num poço seco e profundo.
Após muitas tentativas frustradas para sair ele foi se
acostumando a sobreviver, no fundo mesmo do poço.
Depois de uns tempos, passa por aquele lugar uma pessoa de bom
coração, que tem dó do coitado e joga para
ele alimentos e agasalhos: “Coma, agasalhe-se...”.
Passa um candidato: “Vote em mim, que eu tiro você
do poço!”. Passa um fundamentalista e lhe joga um
Bíblia: “Aceite Cristo, leia a sua Palavra, louve
e adore a Deus que ele lhe tirará daí”. Passam
outros com loterias, mega-senas, baús, cartas e búzios,
horóscopos e outras “soluções”...
e o homem sempre no fundo do poço.
Enfim passa um missionário. Ele percebe a inutilidade
das propostas anteriores e decide colocar no poço uma escada
e jogar uma corda para que o infeliz possa subir. Recebe uma resposta
que o deixa pasmo: “É difícil, não
adianta... Além disso, faz tanto tempo que estou aqui,
já me acostumei. Meu avô, meu pai, todos estavam
aqui... Há sempre alguma pessoa de bom coração
que não vai deixar que morramos de fome ou frio!”
O missionário então pensa, reflete, avalia e depois
decide: ele mesmo desce no fundo do poço. Lá ele
convive com as pessoas, faz-se um deles, partilha o mesmo pão,
o mesmo frio, as mesmas condições de vida, a mesma
malária... e assim conquista a confiança das pessoas.
Neste ponto, todos juntos, vão tirando terra das paredes
do poço e diminuindo a profundidade até não
haver mais poço e todos terem uma vida digna.
Pensando bem, foi isso que o Filho de Deus fez: para salvar
a humanidade não mandou para ela um código de leis
(já haviam vários), um manual de teologia ou de
moral, uma relação de ritos ou de taxas... Ele mesmo
se fez homem como nós (exceto no pecado, pois o pecado
não é característica fundamental do ser humano),
“com-padeceu” (no sentido próprio de sofrer
junto) conosco e iniciou o Reino, que nada mais é do que
a humanidade toda “fora do poço”.
Um pouco de história...
Os Oblatos de Maria Virgem iniciaram suas atividades missionária
no Amazonas em 1973, quando o Pe. Vicente Antolini assumiu a responsabilidade
pastoral do então Município do Careiro. Em 1976
acrescentaram a região do Castanho e em 1993 a Paróquia
Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de Manaus. Por alguns
anos assumiram também a paróquia de Autazes, na
Prelazia de Borba.
Foram vários os padres e irmãos que trabalharam
nessas regiões ao longo desses anos. Destacamos a figura
do Irmão Ulisses Celli, que chegou em agosto de 1973 e
faleceu no dia de Natal do mesmo ano, num acidente em Manaus.
Atualmente os Oblatos de Maria Virgem que estão no Amazonas
são o diácono Ir. Alcides Mazzoldi, o Ir. Roberto
Sangalli e os padres Afonso Gorniak e Iginio Mazzucchi; contamos
também com a ajuda do Pe. Célio Cardoso.
... e de geografia.
A região confiada à responsabilidade pastoral dos
Oblatos no Amazonas pertence à Arquidiocese de Manaus e
se encontra situada geograficamente ao sul de Manaus.
A Paróquia Nossa Senhora dos Remédios
está situada na região centro-sul de Manaus, na
zona comercial e portuária. Nela moram aproximadamente
5.000 pessoas. O Pe. Afonso dedica-se nessa paróquia. É
preciso anotar também que a Paróquia dos Remédios
é “Igreja-irmã” de uma grande região
de “invasores” na periferia de Manaus.
A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
no Careiro da Várzea, abrange a região desde o Encontro
das Águas dos rios Solimões e Negro, seguindo pela
margem direita do rio Amazonas, até próximo da foz
do rio Madeira, incluindo as ilhas e rios próximos. A área
total é de aproximadamente 2.500 km2 de terras que alagam
todos os anos e, por causa dessas alagações, são
muito férteis para verduras e capim para o gado. Nessa
paróquia moram aproximadamente 20.000 pessoas.
A Paróquia de Nossa Senhora de Fátima,
no Careiro/Castanho, abrange as terras do km 15 ao km 260 da BR
319 Manaus-Porto Velho, junto com as estradas secundárias,
os ramais das mesmas e os rios, lagos, igarapés dessa região.
É uma região quase toda de terras firmes (que não
alagam), que tem como atividade econômica a extração
de madeiras, a pesca e o cultivo da mandioca, do abacaxi e de
outros produtos de subsistência. Os moradores são
aproximadamente 8.000 na cidade do Castanho e mais de 22.000 nos
interiores.
O “estilo” do trabalho OMV no Amazonas
“Não dar o peixe, mas ensinar a pescar” é
uma frase que explica o nosso trabalho e isso tanto na relação
social como na religiosa.
Para ajudar o povo na questão social, não distribuímos
alimentos, roupas ou outras utilidades para as pessoas. Procuramos
educar as pessoas para que não sejam dependentes, mas possam
ir para frente com as suas próprias pernas. Procuramos
educar as crianças, adolescente e jovens, para que, quando
adultos, tenham uma posição social e econômica
independente.
No setor religioso nosso objetivo é formar comunidades
maduras, com seus próprios dirigentes, sem esperar tudo
do padre ou das religiosas. Valorizamos e formamos as lideranças
leigas, não só em vista dos ministérios eclesiais,
mas também e especialmente para que no mundo secular sejam
presenças vivas e atuantes de um cristianismo integral
e de um humanismo verdadeiro e profundo.
Para realizar esses objetivos contamos com as duas Creches,
o Recanto, a Escola Profissional, Cursos de Formação,
entre outros. Tudo, porém, tem seu ponto forte e fundamental
no testemunho de vida: procuramos estar perto das pessoas, “com-padecer”
com elas, lutar com elas. Com nosso testemunho procuramos mostrar
a face misericordiosa do Deus de Jesus.
Trabalhos pastorais
O trabalho pastoral desenvolvido nas três paróquias
é o trabalho comum a todas as paróquias do mundo:
preparação e administração dos sacramentos,
celebrações litúrgicas, atendimento aos enfermos,
educação na fé (em outros lugares chamada
catequese), animação da Pastoral da Juventude, Pastoral
Familiar, Apostolado da Oração, aconselhamento espiritual
e psicológico, etc.
Atenção especial recebem as comunidades do interior
das paróquias do Careiro da Várzea e do Careiro/Castanho.
A cada 2 ou 3 meses visitamos pelo menos as comunidades centrais,
reunindo as comunidades vizinhas. Bimestralmente reunimos as lideranças
de todas as comunidades na cidade para cursos de formação
de três dias.
No âmbito ecumênico, estamos ainda no “ABC”:
procuramos manter um bom relacionamento com todas as religiões
e igrejas, mas até agora não conseguimos muitos
resultados satisfatórios.
Trabalhos sociais
O nosso trabalho social visa a “ensinar a pescar”.
Por isso investimos grande parte de nosso tempo e de nossos recursos
econômicos na educação das crianças,
adolescente e jovens.
Nossas principais atividades sociais são as seguintes:
Creche São Francisco e Creche Bom Pastor: proporcionam
uma educação de qualidade para 240 crianças
(120 em cada creche) de um a seis anos, de 2a. a 6a. feira em
período integral; o que mais as crianças apreciam
nas creches é a alimentação, pois muitas
só têm por refeição aquilo que comem
na creche.
Recanto Pio Lanteri: situado à beira da mata, não
longe da cidade. São 400 adolescentes (200 no período
da manhã e 200 no período da tarde), que recebem
alimentação, educação, atividades
de reforço escolar, lazer e esportes, natação,
artesanato, etc, e assim se preparam para um futuro melhor e...
estão fora das ruas.
Escola Profissional Lanteriama: acolhe 60 adolescentes
de 13 a 18 anos (quase todos provindo do interior) que ali moram,
durante todo o ano escolar, e onde se profissionalizam em Marcenaria
e Agricultura/Horticultura, além de estudar os cursos regulares
do ensino fundamental e médio. Na “Lanteriama”
os alunos aprendem também noções teóricas
e práticas de eletricidade, mecânica, informática
e música.
Centro de formação São Francisco: oferece
cursos de artesanato, crochê, corte e costura, pintura para
aproximadamente 100 mães e adolescentes.
A Rádio Castanho: alcançando
toda a região, é uma rádio FM de grande relevância
nos meios de comunicação da comunidade e tem sua
importância também para a formação
cultural, religiosa e educacional.
Agentes de saúde do interior: são
quase cem os agentes de saúde das comunidades do interior
que foram formados através de uma parceria entre os poderes
públicos e a Associação Pio Lanteri, entidade
que representa civilmente a nossa missão no Amazonas. São
chamados “médicos de pés descalços”
e desenvolvem um trabalho precioso junto aos ribeirinhos de nossa
região. Ajudamos esses agentes fornecendo-lhes o barco
e a gasolina, assim como lhes patrocinando os cursos de reciclagem.
Fabricação de barcos/canoas e geleira:
são cerca de 130 barcos/canoas fabricados com a orientação
do Ir. Alcides e entregues aos agentes de saúde e às
comunidades dos lagos para o transporte de enfermos, alunos e
pessoas da comunidade. São canoas e barcos de vários
tamanhos equipados com motor e adaptados para as águas
baixas da nossa região. Nossa geleira fabrica gelo precioso
para a conservação do peixe e de outros alimentos
para nossas escolas, para os pescadores e para população
em geral.
Assistência aos idosos: todos os idosos
(são mais de uma centena) da cidade do Castanho contam
com a assistência da igreja católica através
de visitas, orientação, assessoria para documentos,
entrega de medicamentos e encaminhamentos para o hospital.
Para terminar
Alguém pode perguntar: “como conseguem recursos
econômicos para desenvolver todas essas atividades?”
Claro que contamos com a Providência de Deus, mas contamos
também com a colaboração de muitíssimos
benfeitores, daqui e sobretudo do exterior.
Os governos federal, estadual e municipal nos ajudam um pouco,
mas a grande maioria dos recursos provem das Adoções
à Distância, do Brasil e sobretudo do exterior. A
pessoa, a família, a classe escolar, o grupo de amigos
ou colegas do trabalho “adotam” uma de nossas crianças
ou de nossos adolescentes, mandando uma pequena quantia mensal
ou anual para que essa criança ou esse adolescente possa
estudar e crescer sob a nossa responsabilidade. Nós mandamos
foto e carta da criança ou adolescente a esses “padrinhos”
e periodicamente os informamos dos progressos dos seus “afilhados”.
Outros perguntarão: “Vale a pena? Estão
surgindo resultados?” Podemos afirmar sem sombra de dúvidas:
“Vale sim! Os resultados aos poucos vão aparecendo.
O nosso povo anda devagar, mas anda”.
No campo religioso, há muitos leigos e leigas que estão
fazendo um bonito trabalho em suas comunidades; quem sabe num
futuro (esperamos não muito longínquo) receberão
todos os encargos, também sacramentais, para tornarem “adultas”
definitivamente as comunidades que ainda são “de
menor”.
No aspecto social, muitos dos ex-alunos das nossas creches e
escolas profissionais agora estão cursando níveis
superiores e outros já estão empregados e ajudam
a melhorar as condições de suas famílias.
Outros voltaram para suas comunidades do interior, onde desenvolvem
um ótimo trabalho, seja no setor religioso, seja nos setores
cultural e social.
Deixo aqui nossos endereços e nossos telefones:
• Paróquia N. Sra. dos Remédios - Rua Leovegildo
Coelho, 237 – Caixa Postal 3178 – CEP 69.001-970 –
Manaus/SP – Fone: (92) 3234-9969.
• Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro –
Praça da Liberdade – CEP 69.255-000 – Careiro
da Várzea/AM – Fone: (92) 3369-2000.
• Paróquia N. Sra. de Fátima (Associação
Pio Lanteri) – Rua Mamori, 106 – CEP 69.250-000 –
Careiro-Castanho/AM – Fone: (92) 3362.1301 / 3362-1182 (fax).
Pe. Igino Mazzucchi, OMV