Pe. Patrice Véraquin, Reitor Maior, na sua “Carta aos amigos e colaboradores dos Oblatos de Maria Virgem” (2004), faz um convite a todos os leigos e leigas ligados à nossa realidade e à nossa missão.

Em 1816, Pe. Lanteri, com um grupo de sacerdotes de Carignano e de Turim, fundou a Congregação dos Oblatos de Maria Virgem. Não deixou-lhes a tarefa de prosseguir a obra das “Amizades cristãs”, mas os Oblatos mantiveram sempre viva a sensibilidade de Lanteri no apoio e valorização do trabalho dos leigos. Foram, por exemplo, muito atuantes na promoção da Ação Católica. Também em nossos dias, com os extraordinários desenvolvimentos teológicos e pastorais que, do Concílio Vaticano II até hoje, realizaram-se na Igreja, os Oblatos sentem-se interpelados na valorização de uma mais plena colaboração com os leigos para enfrentar com eles os desafios da evangelização.

De fato, desde muitos anos os Oblatos teceram tantos laços convosco, leigos. Muitos de vós estão empenhados nas nossas paróquias (liturgia, catequese, grupos de oração, retiros, ajuda aos pobres e aos doentes, etc); outros estão empenhados nas escolas ou nas pensões universitárias; outros colaboram na animação de Exercícios Espirituais, de retiros ou de missões populares; outros  prestam   serviços

 

 

 

 

 

 

nos nossos santuários ou nas nossas casas de acolhida; outros ainda participam na vida das nossas comunidades ou na formação dos nosso seminaristas. Sem falar dos laços de amizade que, nas alegrias e nos sofrimentos da vida, tantos entre vós puderam desenvolver com os Oblatos. Penso ainda nos benfeitores que sustentam com a sua generosidade e oração, a vida e o apostolado dos Oblatos.

Em todas essas atividades ou contatos, percebestes nos Oblatos, além das qualidades ou dos limites de cada um, um certo modo de ser e de fazer que os caracteriza. É um modo que tem sua raiz no carisma de Pe. Lanteri. É um dom particular que o Espírito Santo fez a Lanteri e a sua família religiosa e que especifica a nossa espiritualidade, o nosso estilo de vida e o nosso apostolado.

 

Um dom a partilhar

Agora alguns dentre vós sentem-se atraídos pelo carisma de Padre Lanteri e querem conhecê-lo melhor para colher aí inspiração para as suas vidas. Como outros leigos na Igreja sentem-se atraídos aos carismas de S. Francisco, de S. Domingos ou de S. Vicente de Paulo, também alguns dentre vós sentem o desejo de seguir os passos de Pe. Lanteri e de cooperar mais intensamente com a missão dos Oblatos. A Igreja reconhece a validade desse desejo quando afirma que o carisma do fundador de um instituto religioso não é reservado aos membros do instituto, mas pode ser dividido também com outras pessoas: “Hoje não poucos institutos, freqüentemente por força de novas situações, tomam consciência que o seu carisma pode ser partilhado com os leigos. Estes são, por isso, convidados a participar de modo mais intenso à espiritualidade  e    à    missão   do    mesmo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

instituto” (João Paulo II, Vita consecrata, n. 54). Nós, enquanto religiosos fundados por Pe. Lanteri, somos de certo modo os herdeiros “institucionais” do seu carisma. E, enquanto tal, possuímos uma rica herança de testemunho, de documentos e de vida vivida sobre suas pegadas, mas não somos “proprietários” do carisma. De fato, existem também outros institutos religiosos (as Oblatas de Maria Virgem de Fátima e as Filhas de S. José) que participam no mesmo carisma. É um dom espiritual a partilhar com outros.

 

 

Creio que já realiza-se em parte entre vós tal participação no carisma, nos laços de amizade e de colaboração dos quais falei acima. O desejo da Congregação é o de prosseguir sobre essa linha e promover o melhor que podemos tal participação.

 

 

 

 

Diversidade nas formas de participação

A participação no carisma admite uma grande diversidade de modalidades e de tipos de ligação com a Congregação. Existem muitas pessoas que, partilhando o estilo do carisma lanteriano, estão satisfeitas em manter tais laços de colaboração ou de amizade com os Oblatos sem querer ir adiante no aprofundamento do carisma. Existem ainda aqueles que, individualmente ou em grupo, desejam participar mais intensamente no carisma em união com os Oblatos. Nesta linha, podemos pensar em como criar espaços específicos que favoreçam um caminho de aprofundamento e de crescimento. Para alguns isso pode realizar-se na simples partilha da espiritualidade de Pe Lanteri, procurando aprofundar os seus meios de vida espiritual, mas sem se empenhar na missão concreta dos Oblatos. Para outros, ao invés, podem-se apresentar as circunstâncias que fazem úteis e oportunas a partilha não somente da espiritualidade, mas também da missão, em colaboração com os Oblatos.

Em todo caso, o processo que leva a uma forma ou outra de participação exige um discernimento que, feito com a ajuda dos responsáveis Oblatos, permitirá crescer em um autêntico espírito cristão e lanteriano.

 

 

 

 

 

 

 

A elaboração das formas concretas de participação depende muito dos contextos de vida das diversas regiões e comunidades. Deverão certamente incluir, de uma forma ou em outra, um percurso de oração pessoal marcado pela pedagogia inaciana (retiros, Exercícios, acompanhamento pessoal, etc.). Também não pode faltar um caminho de formação ao carisma lanteriano. Através de reuniões, jornadas ou convenções que aprofundam temas ligados à espiritualidade e ao carisma lanteriano, crescerá a sensibilidade às intuições de Pe. Lanteri e uma reflexão sobre como atuar essas intuições hoje por parte dos leigos. Podem ainda ser criados pequenos grupos de encontro que caminhem juntos com o objetivo de crescer na vida cristã, seguindo os caminhos propostos por Pe. Lanteri. Onde for oportuno, alguns desses grupos podem ainda encontrar o modo de comprometer-se concretamente num trabalho apostólico.

 

Um simples mas significativo laço de pertença à família lanteriana pode ser a recitação cotidiana da “Oração pela família lanteriana” que encontrais aqui nesta revista. Com ela, invocamos para todos os membros da família lanteriana a graça de portar frutos de santidade pessoal e de missão evangelizadora. É um modo concreto de permanecer unido espiritualmente e reconhecer o primado de Deus em todas as nossas iniciativas.

 

 

 

 

 

 

 

Por meio de tais e outras iniciativas poderá crescer progressivamente um senso mais profundo de pertença à família lanteriana e um laço mais estreito com os Oblatos.

Pe. Patrice Véraquin, OMV
Reitor Maior

 

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