Igreja e Reino de Deus

Rodrigo Assis Rosa, OMV

1. Introdução

Nestes tempos de globalização, marcado pela ampla rede de comunicações, pela sociedade do espetáculo, pelo avanço da semiótica e pelo “império da mídia e da tecnologia digital”, não há como não fugir à pergunta sobre qual imagem a Igreja faz de si ou toma como sua. É uma questão eclesiológica central, pois toca a própria identidade da Igreja, uma vez que toda a imagem possui um alto valor simbólico. Além do mais, há um fator que não podemos esquecer: para cada imagem que a Igreja fizer de si mesma, haverá sempre um modelo eclesiológico distinto.

Com uma simples pesquisa em dicionários bíblicos e teológicos, é impressionante perceber a multiplicidade de imagens e de figuras bíblicas que dizem respeito à Igreja. Desde sempre a ela sentiu a necessidade de utilizar símbolos como modo de exprimir a sua realidade interna. No início muitas dessas imagens foram retiradas do Antigo Testamento e vulgarizadas pelos Padres da Igreja. Entre outras, os Padres usavam nos seus escritos as seguintes imagens: Eva, Maria, Abraão e Sara, Tamar, Maria Madalena, mulher forte dos provérbios, mulher cananéia, arca de Noé, etc. No conjunto dos livros do Novo Testamento, contam-se cerca de 80 imagens.

 A Constituição dogmática Lumen Gentium utiliza 35 imagens que se podem, aliás, agrupar em quatro temas, a saber: a vida pastoral (pastor, rebanho); a vida agrícola (campo de Deus, oliveira, vinha); arquitetura e vida social (edifício levantado por Deus, povo de Deus, Aliança, casa de Deus, Templo e Tabernáculo de Deus, Corpo de Cristo, cidade de Deus) e vida familiar e conjugal (mãe, esposa, família). A diversidade evocada revela bem a dificuldade de delimitar uma realidade que foge às definições.

No entanto, apesar dessa multiplicidade, uma imagem surge como uma constante e de modo especial nas reflexões eclesiológicas do pós-Vaticano II. É a Igreja entendida na sua relação com o Reino de Deus. E é sobre essa relação que o presente trabalho quer debruçar-se. De fato, na história da Igreja não foi fácil nem tranqüila a harmonização das duas realidades, que transitou desde a completa identidade até a total diferença. Será interessante perceber como o magistério tem se posicionado a esse respeito para percebermos suas implicações na prática eclesial, de modo especial na Igreja latino-americana.

 2. Jesus, Reino de Deus e a Igreja

Jesus Cristo, é a plenitude da revelação, “Verbo eterno, que ilumina todos dos homens e explica-lhes os segredos de Deus” (DV, 4). Portanto, somente com referência a ele poderemos compreender na sua plenitude os mistérios da Igreja e do Reino de Deus.

 2.1. Jesus e o Reino

 O tema do Reino de Deus já se encontra presente nos textos do Antigo Testamento. O conceito de Reino de Deus fundamenta as suas raízes culturais na experiência das monarquias do antigo Oriente: diante das mazelas dos reis que oprimem o povo, o conceito Reino de Deus exprime a convicção de fé do povo de Israel de que Javé é rei e sua ação domina toda a história e o mundo criado. Segundo W. Kasper, “para o Judeu de então, o Reino de Deus era a personificação da esperança em ordem à realização do ideal de um soberano justo jamais cumprida sobre a terra. A esse propósito, deve-se dizer que, para a concepção dos povos do antigo Oriente, a justiça não consiste primariamente em administrá-la de modo imparcial, mas em ajudar e proteger os desvalidos, débeis e pobres. A chegada do Reino de Deus era aguardada como libertação do senhorio injusto, impondo-se a justiça de Deus no mundo”.[1]

 O Reino de Deus é, sem dúvida, o tema central da pregação de Jesus [2]. Ele “percorria toda a Galiléia, pregando o Evangelho do Reino e curando toda e qualquer doença ou enfermidade do povo” (Mt 4, 23). Também o Batista anuncia a vinda do Reino, mas sob a perspectiva do juízo escatológico: “O machado já está posto à raiz das árvores; e toda a árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (Lc 3,9). Jesus, porém, apresenta-se pessoalmente como mensageiro e portador da realeza de Deus.

 Podemos dividir a pregação de Jesus sobre o Reino de Deus em dois momentos fundamentais: como presença e como futuro. Falar do Reino de Deus como presença significa dizer que ele está intimamente ligado à pessoa de Jesus, aos seus gestos, ações e palavras. No seu relacionamento com os pobres e pecadores, Jesus se manifesta como portador e atualizador da soberana misericórdia de Deus. Em diversos momentos, os Evangelhos mostram a opção de Jesus pelos pobres, aos quais ele declara “Felizes” (Mt 5,3).

 Também com seus milagres Jesus mostra que o senhorio de Deus chegou. “Os milagres evidenciam que se iniciou o tempo da salvação messiânica, que o Reino de Satanás é colocado em crise e se instaura o Reino de Deus. Este Reino é uma grande novidade que muda a fisionomia do velho mundo: o pecado, com as suas conseqüências (doenças, dor, sobretudo a morte), é verdadeiramente vencido, porque a salvação de Deus está agindo no mundo. Essa salvação atinge o homem todo; não somente a sua alma, mas também o seu corpo, a sua concretude histórica assinalada pela doença e pelo sofrimento”[3]. Assim, o Reino de Deus se manifesta como Evangelho, “Boa-notícia”, sobretudo para os fracos, os doentes, os marginalizados da sociedade e considerados pecadores pelo Templo.

 Uma segunda fase da vida e pregação de Jesus pode ser considerada como fruto dessa sua atividade primeira em favor dos marginalizados, o que resultara em uma consideração mais aprofundada do que seja o Reino de Deus: é a sua dimensão futura. No momento em que se torna evidente o conflito com os lideres do povo e Jesus inclusive precisa contar com a possibilidade de sofrer morte violenta, aprofunda-se e amplia-se a compreensão do Reino: ela adquire novo caráter transcendente, passando inclusive a ser expresso em linguagem apocalíptica. O Reino de Deus, nessa perspectiva, é apresentado não como objeto de cálculos humanos, mas como uma realidade que só Deus pode atuar gratuitamente – que vem porque Deus assim decidiu.

 Assim, para Jesus, o Reino é símbolo do novo domínio, senhorio que Deus vai instaurar no mundo, ao renovar todas as coisas e restabelecer todas as relações de Deus com os seres humanos e destes entre si. “O tema do Reino de Deus situa o próprio Deus na origem e no coração da atividade de Jesus. Reino de Deus quer dizer Deus mesmo, que age no mundo de forma decisiva, manifestando-se e ordenando a sua criação, por meio das palavras e ações humanas de Jesus (...). Em Jesus, os valores do Reino são considerados presentes e atuantes” [4]. Assim, encontrar Jesus significa experimentar a dinâmica do Reino de Deus. É sobre essa ótica que podemos ligar Jesus, o Reino e a Igreja.

2.2. Jesus e a Igreja

Tratar de um tema tão complexo, qual seja a relação entre Jesus e o nascimento da Igreja, não pode ser pretendido aqui. O que se quer é apenas acenar brevemente para alguns pontos centrais na relação Igreja e Reino de Deus, de modo especial tentando harmonizar a relação entre a pregação de Jesus (que foi o Reino de Deus) e a pregação da Igreja (que é o próprio Jesus).

 O tema central da pregação de Jesus foi a libertadora soberania de Deus, que já se mostrava presente e atuante na sua pregação e nos seus gestos. Mas com a sua morte e principalmente com a sua ressurreição, Jesus, que era o anunciador do Reino de Deus, torna-se o centro do anúncio do cristianismo nascente. O centro do anúncio da comunidade cristã passa a ser o anúncio de Jesus morto e ressuscitado por Deus.

Esse deslocamento de foco é muito compreensível, pois a ressurreição e exaltação de Jesus afetaram a concepção de Reino de Deus. “Deus exerce de forma nova o seu Reino salvífico por meio do Cristo exaltado, glorificado e estabelecido por Deus Senhor de toda a realidade. Agora a Igreja terá em Cristo o centro do seu anúncio. R. Schnackenburg comenta: “como se vê, o deslocamento apostólico da pregação apostólica não é decadência, nem diminuição ou obscurecimento da mensagem, mas simplesmente aplicação histórico-salvífica e histórico-redentora”.[5]

 3. Igreja, sacramento do Reino – indicações a partir do magistério

A relação entre Reino de Deus e a Igreja foi definida de diferentes maneiras ao longo da história da Igreja, ora enfatizando mais a unidade, ora mais a diferença. Se os Padres da Igreja, os teólogos medievais e os reformadores do século XVI tendiam a identificar a Igreja e Reino de Deus, ou pelo menos os associava intimamente, principalmente nos últimos dois séculos prevalece a tendência a distinguí-los em grau maior ou menor, encarando o Reino de Deus numa perspectiva mais escatológica, e a Igreja numa perspectiva mais histórica.

 3.1. O Concílio Vaticano II

 É interessando observar que a constituição conciliar procura harmonizar ambos os aspectos escatológicos e históricos na relação Igreja e Reino de Deus (LG 5; Cf. LG 2-4.8.48). Com razão observa J. A. Almeida que essa posição demonstrou-se “mais respeitosa dos dados bíblicos e da complexa realidade tanto do Reino quando da Igreja”[6]. Assim, na LG 5 vemos que Jesus deu início à sua Igreja “pregando a boa nova, isto é, a vinda do Reino”, Reino que “manifesta-se claramente aos homens nas palavras, nas obras e na presença de Cristo”. Temos, então uma total identificação entre Jesus e o Reino por ele anunciado, uma vez que “o Reino manifesta-se na própria pessoa de Cristo”. Assim, após a morte e ressurreição de seu Senhor, a Igreja “recebe a missão de anunciar e instaurar em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela própria na terra o germe e início deste Reino”. Contudo, sabe ela que o “Reino perfeito” ainda não se consumou, o que só se dará na união com “seu Rei na glória”.

 Vale lembrar ainda que a espera pelo Reino de Deus não é exclusiva de Jesus e seus discípulos. Ela é, como foi visto acima, a esperança de todo o povo de Israel, esperança de libertação e redenção dos pobres. Por isso afirma J. A. Almeida: “A Igreja é, portanto, conectada à história de Israel: quem quer falar de sua origem tem de olhar para além de Jesus, e não se restringir apenas a ele. A partir daí, é possível reler até a afirmação polêmica de Loisy e dizer que Jesus anunciou, sim, o Reino de Deus, não a Igreja; que a Igreja é diferente, sim, do Reino; que a Igreja, porém, nasce e vive do vigor e da interpelação do Reino, como seu sinal, germe e início”[7].

 3.2. Puebla

 A III Conferência geral do episcopado latino-americano realizada em Puebla (1979) retoma as grandes intuições do Vaticano II no que diz respeito à relação Igreja-Reino de Deus nos números 226-231, atualizando, por assim dizer, seu conteúdo para a realidade latino-americana. Logo no início faz questão de lembrar que o Reino, “sem ser uma realidade separável da Igreja (LG 8a.), transcende seus limites visíveis”, pois se realiza em qualquer lugar onde reine o amor. “Esta ação acontece também no coração dos homens que vivem fora do âmbito perceptível da Igreja”, sem que isso signifique “que a pertença à Igreja seja diferente” (P 226).

 Para Puebla, a Igreja é sinal e instrumento do Reino. É sinal porque nela “se manifesta de modo visível o que Deus está realizando silenciosamente, no mundo inteiro” (P 227). É instrumento porque “introduz o Reino entre os homens” (id.).

 Puebla tem uma imagem humilde da Igreja. A considera germe e início do Reino (cf. LG 5), mas é ciente das suas falhas, já que ela é “necessitada de permanente auto-evangelização, de maior conversão e purificação” (P 228). E embora a Igreja esteja “penetrada pela presença insondável e pela força do Deus trino” (P 230), reconhece que “a Igreja de hoje ainda não é aquilo que está chamada a ser” (P 231). Essa humildade é necessária para “se evitar uma falsa visão triunfalista” (id.), de que a história da Igreja está repleta.

 3.3. Declaração Dominus Iesus

Outro documento do magistério que retoma as intuições do Vaticano II sobre a relação entre Igreja e Reino de Deus é a declaração Dominus Iesus (2000), especialmente no seu capítulo V. Segundo essa declaração, a Igreja é ao mesmo tempo “sinal e instrumento do Reino” e “o Reino de Cristo já presente em mistério” (DI 18). Considera, assim, o Reino de Deus em sua dimensão escatológica: “é uma realidade presente no tempo, mas a sua plena realização dar-se-á apenas quando a história terminar ou se consumar” (id.).

Salienta a indissolubilidade entre Cristo, Reino e Igreja. Contudo, “afirmar a inseparabilidade entre Igreja e Reino não significa porém esquecer que o Reino de Deus – mesmo considerado em sua fase histórica – não se identifica com a Igreja na sua realidade visível e social” (DI 19). O documento é denso e procura preservar “a obra de Cristo e do Espírito” dentro dos “confins visíveis da Igreja” (DI 19). Ao considerar a possibilidade de o Reino acontecer também fora desses confins, o documento se atém a dizer que “o Reino de Deus é a manifestação e a atuação do seu desígnio de salvação, em toda a sua plenitude” (id.).  

Por fim, critica a oposição entre as concepções reino-cêntricas e eclesio-cêntricas. Considera que as “concepções que propositadamente colocam o acento no Reino, auto-denominando-se ‘Reino-cêntricas’” (DI 19b.) correm o perigo de cair no unilateralismo.

 4. Conclusão

 Ao longo desse trabalho procurou-se mostrar que não pode haver uma unilateralidade no discurso sobre a relação Igreja e Reino. Tal posição correria o risco de não levar em consideração o mistério sempre maior da graça de Deus no mundo. Assim sendo, “no plano da história bem como na perspectiva da consumação, Igreja e Reino de Deus dever ser ao mesmo tempo identificados e distinguidos. A provisoriedade e instrumentalidade da Igreja é tão importante quanto sua identidade embrionária e sinalizadora com o Reino de Deus[8], para retomar a intuição da LG 5.

 E ainda, a Lumen Gentium, no mesmo número 5, ao afirmar que “o Reino de Deus se dá realmente só em Cristo” [9] estabelece um critério de discernimento para a própria vida e missão da Igreja. Ou seja, ela só se constitui como sinal e instrumento do Reino na medida em que é fiel a esse mesmo Reino por ela anunciado. E nas palavras do teólogo G. Gutiérrez: “A Igreja não se identifica com o Reino, mas, ao formar-se como comunidade, ao se organizar, deve dar testemunho; deve comprometer-se em função do Reino para poder emitir, a partir dele, um juízo sobre a história e também sobre si mesma. Para a comunidade cristã, e não só para cada cristão, buscar o Reino e a justiça significa duas coisas: querer ser sinal do Reino e aceitar ser julgada por ele” [10].

 Concluindo, nesses tempos agitados de globalização, onde as imagens têm um alto poder expressivo, a Igreja se auto-apresenta como sinal e instrumento do Reino de Deus. Contudo fica o desafio: ela só conseguira alcançar essa sua meta quando for a Igreja dos pobres que encontram a libertação, quando for a Igreja dos pecadores que encontram perdão, quando for a Igreja dos perseguidos que encontram conforto. Pois ali, parafraseando o refrão de Taizè, quando cumpridas essas condições, já reinará o amor de Deus no mundo.

 5. Bibliografia

ALMEIDA, A. J., Lumen Gentium, a transição necessária. São Paulo, Paulus, 2005.

Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. Paulus, 2003.

CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium. São Paulo, Paulus, 2001 (Clássicos de bolso).

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Declaração Dominus Iesus. Sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. 6ª. Ed. São Paulo, Paulinas, 2005.

Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM). Conclusões da Conferência de Puebla. Texto oficial. São Paulo, Paulinas, 1979.

COSTA, Paulo Cezar. O reinado libertador de Deus nos gestos e palavras de Jesus. Vida Pastoral, fasc. 242, São Paulo, Paulus, Maio-Junho de 2005.

GUTIÉRREZ. G. O Deus da vida. Trad. Gabriel C. Galache e Marcos J. Marcionilo. São Paulo, Loyola, 1990.

LÉON-DUFOUR, Xavier (Org.). Vocabulário de Teologia Bíblica. Trad. Simão Voigt. 3ª. Ed. Petrópolis, Vozes, 1984.

PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, 17ª. Ed. São Paulo, Paulinas, 2004.

Schneider, Theodor (Org). Manual de Dogmática, Vol. II, 2ª. Ed. Petrópolis, Vozes, 2002.


[1] COSTA, Paulo Cezar. O reinado libertador de Deus nos gestos e palavras de Jesus. Vida Pastoral, fasc. 242, São Paulo, Paulus, Maio-Junho de 2005. p. 10.

[2] “Como evangelizador, Cristo anuncia em primeiro lugar um Reino, o Reino de Deus, de tal maneira importante que, em comparação com ele, tudo o mais passa a ser “o resto”, que é “dado por acréscimo”. Só o Reino, por conseguinte, é absoluto, e faz com que se torne relativo tudo o mais que não se identifica com ele. O Senhor comprazer-se-ia em descrever, sob muitíssimas formas diversas:a felicidade de fazer parte deste Reino, felicidade paradoxal, feita de coisas que o mundo aborrece; as exigências do Reino e sua carta magna; os arautos do Reino; os seus mistérios; os seus filhos; a vigilância e a fidelidade que se exigem daqueles que esperam o seu advento definitivo”. PAULO VI, Evangelii Nuntiandi, São Paulo, Paulinas, 1976. Nº. 8.

[3] Ibid., p. 11.

[4] Ibid., p. 14.

[5] Ibid., p. 14.

[6] ALMEIDA, A. J., Lumen Gentium, a transição necessária. São Paulo, Paulus, 2005. p. 69.

[7] Ibid., p. 70.

[8] Schneider, Theodor (Org). Manual de Dogmática, Vol. II, 2ª. Ed. Petrópolis, Vozes, 2002. p. 92.

[9] ALMEIDA, A. J., op. cit., p. 71.

[10]O Deus da vida. São Paulo, Loyola, 1990. p. 143.

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