Um ensino novo, dado com autoridade

Uma nova evangelização
O que vale não são as palavras bonitas,
mas sim o testemunho, o gesto concreto
Marcos 1,21-22.27

 A evangelização (=anúncio da Boa-Notícia) de Jesus era muito ligada à vida do povo. As parábolas mostram que ele tinha uma capacidade muito grande de comparar as coisas de Deus com as coisas mais simples da vida: sal, vela, luz trabalho, comida, semente, flores, amor, casamento, crianças, passarinhos, etc. Isso supõe duas coisas que marcavam a evangelização de Jesus: estar bem atento às coisas da vida e dos problemas do povo, e estar bem por dentro das coisas de Deus, do Reino de Deus.

 As parábolas ainda mostram um outro aspecto muito importante da evangelização de Jesus. Ele não ensinava as coisas de cima para baixo para o povo decorar e aprender de memória, mas levava as pessoas a participar na descoberta da verdade. Por exemplo, imagine um agricultor da Galiléia que escuta a parábola da semente. Ele pensa consigo: “Semente no terreno, eu sei o que é! Mas Jesus diz que isso tem a ver com o Reino de Deus. O que será que ele quis dizer com isto?”. E aí você pode imaginar as longas conversas do povo em torno das parábolas que Jesus contava. O mesmo faziam, por exemplo, as mães a partir das parábolas de Jesus sobre o sal, a comida, as crianças, as velas, etc. Uma parábola leva a pessoa a refletir sobre sua própria experiência e faz com que esta experiência a leve a descobrir a presença de Deus nas coisas da vida: sal, vela, luz, semente, crianças, comércio, desemprego, corrupção, assalto, passarinho, capim, etc. A parábola muda os olhos, faz da pessoa uma observadora da realidade. Torna a realidade transparente. Era esse o jeito de Jesus evangelizar.

 O primeiro impacto que a Boa-Notícia de Jesus causava no povo foi este: “Um novo ensinamento! Dado com autoridade!” (Mc 1,27). “Ele ensina como quem tem autoridade e não como os escribas e dos fariseus” (Mc 1,22). Parece até uma ironia! Os escribas, quando ensinavam, repetiam as sentenças de doutores e teólogos, isto é, das autoridades da época, mas para o povo, mesmo citando autoridades, eles não ensinavam com autoridade. Jesus nunca citava teólogos nem doutores, mas para o povo, mesmo sem citar as autoridades da época, ele ensinava com autoridade! Pois uma pessoa fala com autoridade não pelo fato de citar as palavras das autoridades, mas sim pelo fato de a sua palavra ter raiz no coração.

 O que vale não são as palavras, mesmo bonitas, mas sim o testemunho que dá vida e autoridade às palavras. Jesus falava de Deus a partir da sua experiência de Deus e a partir da sua experiência com a vida do povo.

 Do livro: Carlos MESTERS e Francisco OROFINO, Seguir Jesus. Círculos Bíblicos em preparação à V CELAM – Aparecida 2007. São Paulo, Cebi/Paulus/Paulinas/Santuário, 2006. p. 18-20

 

 

 

 

 

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