A ESPIRITUALIDADE CRISTÃ
“Vós sois o sal da terra. Vós
sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14)
Qual a importância do cultivo de uma profunda espiritualidade
para o amadurecimento vocacional? Quais os aspectos que constituem
tal espiritualidade: “contemplação”,
“atividades apostólicas”, “responsabilidades
sócio-politicas”... ? Qual a dimensão mais
importante da espiritualidade verdadeiramente cristã? Como
sabemos, estas são perguntas que se tornam cada vez mais
insistentes nos nossos dias, e que exigem de cada batizado um
posicionamento claro e coerente.
E nós, jovens, o que pensamos sobre isso? A CNBB,
falando sobre a missão dos cristãos leigos e leigas,
oferece algumas pistas para respondermos a essas interrogações.
179. A espiritualidade não é uma parte da vida,
mas a vida inteira guiada pelo Espírito de Jesus.
Entre os elementos de espiritualidade que todo cristão
deve assumir como próprios, destaca-se a oração.
A oração o levará, aos poucos, a ver a realidade
com um olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer
a Deus em cada instante e em todas as coisas; de contemplá-lo
em cada pessoa; de procurar cumprir sua vontade nos acontecimentos.
180. A espiritualidade não afasta da vida cotidiana.
Especialmente leigos e leigas devem buscar a santidade dentro
de suas próprias condições de vida. É
o que ensina o Concílio Vaticano II. Após ter afirmado
com vigor a vocação de todos os fiéis à
santidade, a constituição Sobre a Igreja propõe
alguns itinerários espirituais não apenas a ministros
e consagrados, mas também aos esposos e pais, aos trabalhadores,
aos pobres, aos sofredores, aos perseguidos pela justiça,
concluindo: “Todos os fiéis santificar-se-ão
dia a dia, sempre mais, nas diversas condições da
sua vida, nas suas ocupações e circunstancias, e
precisamente através de todas essas coisas, desde que as
recebem com fé das mãos do Pai celeste, e cooperem
com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio
serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo”
(LG 41g).
181. A convivência cotidiana em família
é o espaço primeiro para viver a espiritualidade,
procurando confrontar a própria vida com a vida e as opções
de Jesus de Nazaré, que “passou fazendo o bem”
(At 10,38), numa atitude de total abertura ao Pai e aos irmãos.
Certamente, a experiência da família embebida desta
espiritualidade será diferente. A vivência de relações
igualitárias, promotoras de respeito à dignidade
e às diferenças, possibilitará um real diálogo
e participação de todos os membros, criando desta
forma possibilidades para uma inserção criativa
e crítica na sociedade.
182. O Papa Paulo VI denuncia a gravidade da ruptura entre fé
e vida, entre evangelho e cultura. João Paulo II convida
leigos e leigas a estabelecerem a unidade de vida sustentada
pela espiritualidade. “Não pode haver na
sua existência duas vidas paralelas: por um lado, a vida
chamada ‘espiritual’, com seus valores e
exigências; e, por outro, a chamada vida ‘secular’
(= ‘no mundo’), ou seja, a vida da família,
do trabalho, das relações sociais, do empenho político
e da cultura. [...] Toda atividade, toda situação,
todo compromisso – como, por exemplo, a competência
e a solidariedade no trabalho, o amor e a dedicação
na família e na educação dos filhos, o serviço
social e político, a proposta da verdade na esfera da cultura
– são ocasiões providenciais de um contínuo
exercício da fé, da esperança e da caridade”.
Leigos e leigas fazem do fogão, do torno, da cátedra,
da enxada, do bisturi... verdadeiro altar. Imersos no mundo do
trabalho, encontram inspiração no testemunho de
Jesus de Nazaré, o filho do carpinteiro e em Maria servindo
a prima Isabel.
184. A espiritualidade do seguimento de Jesus, vivida por suas
testemunhas – mártires, místicos
e simples fiéis – impressiona e inspira a vida e
a prática de muitos cristãos e cristãs, que
buscam ser presença solidária com a dor
dos mais sofridos e procuram estar atentos aos sinais
dos tempos, que desafiam a uma presença qualitativamente
distinta na sociedade.
(CNBB, Missão e ministérios dos cristãos
leigos e leigas, doc 62, 1999)
E em outro texto, encontramos mais uma bela mensagem para
a nossa vida de cristãos e cristãs.
17. Anuncio e testemunho são duas formas, complementares
e conexas, da missão cristã. O anúncio
indica mais propriamente a “proclamação explícita”
da mensagem do Evangelho. O testemunho pode ser dado
pela palavra, mas é principalmente uma atitude de vida,
muitas vezes silenciosa. “O mundo de hoje escuta
com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então,
se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”
(Paulo VI).
(CNBB, Diretrizes gerais, doc 71, 2003)
Com base nas reflexões propostas, procure perceber:
• O que mais tenho valorizado na minha vida de cristão
até hoje?
• Quais são as prioridades da “minha espiritualidade”?
• O texto acima indica alguma coisa que eu não
tinha me dado conta?
• Sugere alguma mudança na minha vida de jovem cristão?
De que forma concreta?