Fazer discernimento vocacional é descobrir quais são
as atitudes que ajudam, que acilitam e garantem a capacidade de
distinguir o verdadeiro chamado de Deus de possíveis alarmes,
ilusões ou coisas semelhantes. Daí a importância
de todos nós termos um orientador espiritual que nos ajude
a perceber os movimentos de Deus em nossa vida.
De modo muito claro, os Bispos reunidos no Concílio Vaticano
II, quando escreviam sobre o discernimento vocacional, assim concluíram
sobre a “Voz de Deus” que chama seus filhos e filhas
para uma vocação na Igreja: “(...) esta voz
do chamamento do Senhor não deve de maneira alguma ser
aguardada, como se chegasse por algum canal extraordinário
aos ouvidos do futuro Presbítero. Antes, deve ela ser entendida
e discernida pelos sinais, pelos quais todos os dias se manifesta
a vontade de Deus aos cristãos que sabem escutar.”
Observe que, embora falando àqueles que desejam tornar-se
presbíteros, essa “regra” vale para todo tipo
de discernimento vocacional, seja na escolha de um estado de vida
(casado, solteiro, padre, irmão ou irmã religiosa),
seja nas decisões cotidianas da vida.
E em nota, lemos a seguinte afirmação feita pelo
papa Paulo VI que ajuda a compreender esse processo de escuta
e discernimento: “A voz de Deus que chama exprime-se de
dois modos distintos, maravilhosos e convergentes: um
interior, o da graça, o do Espírito Santo,
o inefável do fascínio interior que a “voz
silenciosa” e poderosa do Senhor exerce nas insondáveis
profundezas da alma humana e um exterior, humano, sensível,
social, jurídico, concreto, o do ministro qualificado da
Palavra de Deus, o do Apóstolo, o da Hierarquia, instrumento
indispensável, instituído e ordenado por Cristo,
como veículo encarregado de traduzir em linguagem perceptível
a mensagem do verbo e do preceito divino.” (Concilio Vaticano
II, Decreto Presbyterorum Ordinis, nº 11)