DEVOÇÃO MARIANA EM JUNDIAÍ –
O TESTEMUNHO DE PE. ÂNGELO CREMONTI OMV
Homilia pronunciada por Pe Ângelo Cremonti, por ocasião
da comemoração dos 25 anos de devoção
a N. Sra. das Graças, no dia 25 de novembro de 1972.
Meus queridos irmãos, meus queridos devotos de Nossa Senhora,
que há 25 anos stais trilhando esse caminho da vossa casa,
para este trono de Nossa Senhora.
Meus queridos doentes, tanto em vossas casas com nos hospitais,
tanto os doentes físicos como os doentes espirituais.
Estamos todos hoje com uma palavra que não sai do coração:
muito obrigado Nossa Senhora das Graças; muito obrigado,
pois a 25 anos nós te invocamos como Senhora das Graças,
como padroeira desta paróquia.
É assim que nasceu a devoção a Nossa Senhora:
25 anos atrás eu cheguei aqui, recém chegado da
Itália. Mons. Ricci me levou a visitar esta capela de S.
João Batista. E depois de ter olhado o que estava nesta
capela, ali na praça, me falou: “Padre, tudo azul?”,
que dizer, “o Sr. Aceita esta paróquia?”
Eu só apreendi a palavra “tudo azul”. Mas
sabendo da tarefa pesada que ia assumir eu não disse ‘sim,
mas eu disse simplesmente: “Mons. Ricci, eu preciso me colocar
debaixo do manto azul para que tudo seja azul”; é
assim que nasceu a devoção a Nossa Senhora das Graças.
Colocando-me e colocando todos os paroquianos de S. João
Batista debaixo da proteção dela. E assim nasceu
a devoção de N. Sra. das Graças nesta paróquia.
E aconteceu aquilo que aconteceu, que todos nós estamos
acompanhando a 25 anos. A primeira conversão foi a minha.
Porque eu não queria ficar de jeito nenhum aqui nesta paróquia.
A primeira conversão foi essa.
Depois que me coloquei debaixo do seu manto azul, ela me converteu
para eu aceitar essa paróquia. Eu não queria aceitar
de jeito nenhum.
Até cheguei a dizer: “Valeu a pena passar tanta
água do oceano para chegar aqui e pegar uma paróquia
deste jeito: tudo para fazer?”. Entretanto, eu sentia necessidade
que aqui era um lugar que precisava de um sacerdote.
Mas os senhores sabem muito bem, a gente é muito humano,
é sensível; experimenta esses contrastes, estes
choques. Somente ela pôde mudar a minha mentalidade e as
poucos ia transformando.
Aconteceu aquilo que aconteceu quando ela foi visitar a sua
prima Sta. Isabel. O que aconteceu naquela casa de Zacarias e
Isabel? Aconteceu que Isabel ficou toda espantada, admirada: “como
é que a mão do meu Senhor venha visitar a minha
casa?”; e o filho que estava no seio desta Isabel, João
Batista, tornou-se santo, santificou-se.
E assim aconteceu aqui. Desde que ela chegou aqui nesta paróquia
houve uma santificação, houve uma transformação
não simplesmente de uma família, mas de todas famílias
da paróquia de S. João Batista.
E S. João Batista, como foi santificado por ela, não
sofreu inveja nenhuma, até deu graças a Deus que
a sua bem feitora estivesse perto dele, para ajudar a proteger
esta paróquia de S. João Batista, bem feliz que
ao nome dele se juntasse também santuário de N.
Sra. das Graças.
Eis assim a história de como é que nasceu a devoção
de N. Senhora. Todos nós temos acompanhado esta maravilhosa
transformação desta paróquia.
Vieram os padres, dos quais dois já falecidos. Todos lembram
do Pe Júlio e do Pe Félix. Vieram mais outros padres,
todos fervorosos, e aqui estamos deste 1947.
Esta paróquia não sofreu mais a falta de sacerdotes.
Pelo menos este problema foi resolvido; de ter sempre sacerdotes
para cuidar de suas almas. E aqui estamos no meio de uma família
do povo de Deus.
Nasceu essa paróquia sob o bafejo de N. Sra., sob sua
proteção e de S. João Batista; desenvolveu-se,
pois não estava tão grande assim. E agora é
que é uma paróquia feita adulta, uma ‘senhora
paróquia’.
Tanto é verdade que cresceu que precisou de um novo templo.
Daquela “igrejinha” tem só uma parede ali.
E logo mais vai desaparecer para dar lugar a uma grande igreja,
que possa abrigar toda a grande família paroquial de S.
João Batista, assim santificada pela proteção
de N. Sra. das Graças.
Esta é a história simples do início da
devoção de N. Sra. das Graças.
Meus amigos, ela está aqui num trono. Nós não
podemos pensar N. Sra. só como uma flor. Desde aquele início
houve sempre gente que trouxe flores. Sempre quisemos transformar
o seu trono em um jardim, e hoje é assim, também
depois de tantos anos.
Meus amigos, ela está num trono. Nós queremos
venera-la num trono, mas ela está aqui no meio de nós.
A sua proteção é estar no meio da gente.
Está aqui no meio de nós como um exemplo de cristã.
A sua missão a cumprir é esta; desde que ela recebeu
Jesus ela andou. Saiu da sua casa, em Nazaré, e não
sei se voltou. Mas ela só saiu para fazer o bem, só
saiu para levar Jesus e chegou até aqui, nesta paróquia
da Ponte São João. Desde que ela está aqui
no meio de nós, a sua presença é uma presença
atuante, é uma presença daquela que acredita em
N. Sr. Jesus Cristo.
Ela nos aponta Jesus; ela nos indica Jesus. Mas não somente
dizendo: “Eis aqui o Filho de Deus; o Filho de Deus que
tornou-se também o meu filho, que eu coloco no meio de
vós, que precisa ouvi-lo, que precisa acreditar nele, que
precisa ter esperança nele, que precisa amá-lo”.
Não somente ela nos apresenta o Cristo desta forma, mas
ela está no meio de nós e diz: “Olha que é
preciso acreditar neste meu Filho”. E ela acreditou. É
preciso esperar nele, e ela esperou. É preciso amá-lo,
ela amou.
E quer que também nós sejamos gente de fé,
gente de esperança, gente de amor.
Meus queridos amigos, lembro neste momento e vou ler as palavras
do salmo:
“Vejam que beleza aquela vez em que Deus mudou o nosso
destino, tudo nos pareceu um sonho. Nosso rosto brilhou de alegria,
nossa boca se encheu de riso. Chegou-se mesmo a dizer entre os
outros povos: ‘Deus realizou maravilhas com eles’.
De fato o Senhor fez grande coisa conosco; nossa alegria foi imensa”.
Tudo isso prende-se, meus irmãos, ao fato da presença
atuante de N. Sra. das Graças no meio de nós. E
quantas lágrimas foram enxugadas; quanta gente converteu-se,
meus irmãos.
E quando cheguei aqui, ninguém queria saber do padre.
Quantos xingos, quantas calúnias. O padre era xingado,
era ofendido publicamente. Entretanto, aos poucos, Deus operou
maravilhas, operou a conversão das mentalidades.
É preciso confiança, é preciso fé,
é preciso ter a coragem de esperar. Esperar naquilo que
N. Senhor nos falou, naquilo que N. Senhor nos prometeu. É
preciso sobretudo amar; amar aqueles que erram, amar os pecadores.
E quanta gente converteu-se aqui. Quanta gente também levou
para sua casa a saúde, a santificação de
sua alma, levou para a sua casa a paz.
Aqui foram consagradas tantas crianças. Aqui vieram os
doentes para se confortar e se fortalecer na fé. E aqui
também sentiram todo o afeto e todo o carinho os moribundos
que nos deixaram com a benção e a proteção
de N. Sra das Graças e hoje estão lá no céu.
Nós estamos aqui num grande empreendimento para dar à
comunidade uma nova matriz. Entretanto, depois de 25 anos, nós
sentimos uma grande alegria com a maneira de como se expandiu
a comunidade paroquial. Outros tantos centros foram construídos
e estão dando frutos que é uma maravilha. Lá
se sente uma comunidade que está crescendo. Aqui o centro
mudou-se completamente.
Meus amigos, mas nós estamos sentindo um vazio tremendo.
Um vazio que nos leva à tentação do desespero.
O que é? É a falta de sacerdotes. Acabo de dizer
que esta paróquia, desde 1947, não foi mais pedir
esmolas a sacerdotes, para que viessem aqui para celebrar ao menos
uma missa. Sempre tiveram a assistência de sacerdotes.
Mas agora esta falta de sacerdotes se vai cada vez mais aumentando,
e portanto, é preciso um grande sacrifício de nossa
parte. Confiar, esperar, trabalhar pelas vocações.
Não é possível que em um imenso país
como o nosso, que se preza de ser católico, não
haja sacerdotes pelo seu povo, pelo povo de Deus.
Portanto, meus amigos, vamos a N. Sra. ofertar o nosso muito
obrigado. O ramalhete de ação de graças.
Mas vamos lhe pedir também: “Sra. das Graças,
enviai-nos sacerdotes. Despertai nas nossas famílias vocações
sacerdotais. Nós precisamos de sacerdotes. Haverá
muitas igrejas construídas, centros comunitários
que funcionam às mil maravilhas, mas faltará a alma
desta igreja, a alma desses centros comunitários, a alma
que é um sacerdote que batiza, que dá assistência,
que nos educa, que nos perdoa; um sacerdote que nos eleva, que
nos aponta o caminho de Deus, que nos incentiva à devoção
à N. Sra.; um sacerdote que nos prepara para um encontro
com Cristo, pra vivermos e fazer das nossas famílias autênticos
lares cristãos.
Missão sublime, meus irmãos, mas é preciso
que nós invoquemos esta prece que o Senhor nos mandou rezar:
“Rezai ao povo da messe para que mande operários”.
Eis aqui, meus irmãos, o propósito de vida cristã
que vamos depositar juntamente com nossos sentimentos de ação
de graças a N. Sra. para que continue a abençoar
esta paróquia, esta cidade, os nossos bairros, os nossos
pobres, os nossos doentes, e que continue a abençoar as
nossas crianças, os nossos lares, as nossas famílias.
Mas que a sua benção seja um despertar, um ressurgir,
um florescer de vocações sacerdotais. Assim Seja!
Pe. Ângelo Cremonti, OMV