Democracia

Tomar papel ativo na construção de um Brasil melhor

 

Abertura

  • Acolhida
  • Invocar a luz e a força do Espírito Santo:

Ó luz do Senhor, que vem sobre a terra, inunda meu ser, permanece em nós

 

Partir de um fato da vida

Motivação inicial: convidar os jovens a refletir sobre o tema da democracia e suas implicações para nossa prática política como cristãos comprometidos com a vida dos nossos irmãos e irmãs. 

A pergunta é essa: O que é democracia? O Brasil é uma democracia?

Diante dessa pergunta, talvez qualquer pessoa responda, sem muito esforço, que sim. Afinal, na década de 80 começamos a sair da ditadura militar, participamos da campanha das “Diretas já”, após vinte anos de jejum cívico escolhemos um presidente civil pelo voto direto, livre e universal (isto é, todos os brasileiros podem votar). O Brasil é uma democracia porque, além das eleições livres, há liberdade de imprensa (não há mais censura), há igualdade racial, liberdade de pensamento, etc.

Mas alguém poderia objetar: e os altos índices de miserabilidade do povo brasileiro? Seria realmente democrático um país que está entre os cinco com pior distribuição de renda do mundo? E Será que, de fato, existe igualdade sexual e racial? Há iguais oportunidades de trabalho? Além disso, o atendimento de saúde, educação e habilitação tem sido estendido de forma homogênea a todos os seguimentos sociais?

Não há como negar essa contradição. De fato, o Brasil é e não é uma democracia. Como é possível. Vamos discutir isso?

Partilha da vida

  • Cantar “Pra não dizer que não falei das flores” (Geraldo Vandré)
  • Dinâmicas

 

1ª. Dinâmica: Uma pessoa é o governador do estado e todos os outros vão reclamar sobre a má qualidade do ensino público e pedir que ele faça alguma coisa. Farão isso sem nenhum debate prévio anterior e de forma desorganizada.

2ª. Dinâmica: Do mesmo modo que antes, haverá um governador sendo cobrado pela má qualidade do ensino público. Desta vez, porém, o grupo será divido e organizado por setores para tornar a cobrança mais qualificada. Serão:

  1. OAB: “A constituição brasileira garante o direito à educação, sob a responsabilidade do estado. Se esse direito não está sendo cumprido pelo estado, a promotoria pública pode ser acionada e o Governador pode ser deposto do seu cargo”.
  1. Associação de Pais: “Como nossos filhos chegam à oitava série semi-analfabetos, vamos organizar mutirões para ir até a câmara dos vereadores e também dos deputados para fazer protestos e cobrar as melhorias no sistema educacional. Também queremos fiscalizar as verbas que são destinadas para a educação (pagamentos de professores, merenda, material escolar, etc...)”.
  1. Partido político: “Nosso partido defende uma educação de qualidade. Vamos começar a fazer relatórios contínuos à população com todas as medidas que são tomadas a favor e contra a educação. Queremos que as iniciativas populares para o controle da educação tenham espaços representativos nas secretarias da educação; solicitamos também a aprovação de projetos de cursos de atualização dos professores regularmente”.
  1. Uma entidade civil (Por. Ex: “Compromisso Todos pela educação”): “Vamos propor debates e mobilizar a opinião pública sobre os avanços da educação; propor projetos aos governantes, criando grupos de fiscalização no congresso e nas prefeituras e nas secretarias de educação”.
  1. A Igreja: “Nós defendemos a vida e a dignidade de todos os homens. Defendemos a igualdade de todos. Somo taxativamente contra todo tipo de exclusão desumanizadora. As nossas crianças e adolescente estão com muita dificuldade nos estudos e, conseqüentemente, não conseguem vagas no mercado de trabalho mais competitivo e especializado. Propomos parcerias para melhorar a educação (governo + empresas) e vamos cobrar – através de nossos grupos de fé e política – para que as verbas destinadas à educação sejam de fato aplicadas onde devem”.
  1. Sindicato dos professores: “Vamos fazer passeatas alertando para o descaso que o estado trata nossas escolas públicas. Nossos professores ganham muito pouco e não têm tempo para fazer cursos de atualização. Precisamos também de incentivos financeiros nas escolas para tornar o ensino mais atraente, como, por exemplo, computadores e biblioteca equipada, passeios e cursos fora da sala de aula, atividades extra-curriculares (aulas de música, dança, esporte, grupos de pesquisa, etc..)”.

3ª. Dinâmica: Correlação de forças. Fazer a brincadeira do “Cabo de guerra” para ver a importância da união para vencer quem tem força. Os jovens vão sendo acrescentados aos poucos para ver como o poder vai crescendo e necessitando de novas alianças.

Refletir sobre o texto: “Na luta contra a tirania e o poder arbitrário, nem as regras da moral, nem apenas as leis impedirão o abuso do poder. Na verdade, como já dizia Montesquieu, só o poder controla o poder”. 

Celebrar a Palavra

O que de concreto podemos fazer para exercitar a democracia em nossa comunidade, em nossa paróquia, cidade, estado, país?

Anexos (Material de apoio)

A democracia formal: as suas características se definem pelo voto secreto e universal, a autonomia dos poderes, pluripartidarismo, representatividade, ordem jurídica constituída, liberdade de pensamento e expressão, etc.

A democracia substancial: se caracteriza pelos fins a serem alcançados pela democracia, tais como a efetiva igualdade jurídica, social e econômica.

Quatro campos possíveis do exercício democrático:

a) Democracia econômica: justa distribuição de renda, iguais oportunidades de trabalho, contratos livres, sindicatos fortes.

b) Democracia social: embora as pessoas sejam diferentes e participem de grupos diversos, ninguém pode ser discriminado, e todos devem ter possibilidade de acesso aos bens materiais como moradia, alimentação, saúde, e aos bens culturais em todos os níveis: educação, profissionalização, lazer, arte.

c) Democracia jurídica: esta supõe e o estado de direito, o respeito à Constituição, a autonomia do Poder Judiciário. Para ser substancia, a democracia jurídica deve se basear em leis que realmente atendam ao interesse da comunidade e precisa contar com uma justiça ágil e resistente às pressões de grupos.

d) Democracia política: o seu coração está no reconhecimento do valor da coisa pública, separada dos interesses particulares. Por isso a necessidade da institucionalização do poder e na sua rotatividade. A democracia política supõe o consenso e o dissenso. Aliás, uma característica da democracia é a aceitação do conflito como expressão das opiniões divergentes. Além disso, a ampliação da democracia ocorre paralelamente à multiplicação dos órgãos representativos da sociedade civil, de modo a ativar as formas de participação dos cidadãos em geral. Por isso são importantes instituições como associações de bairro, mutirões, grupos contra a violência, grupos ecológicos, OAB, a Associação de Imprensa, os partidos políticos, os sindicatos, etc.

O que prejudica o processo de democratização é o desvirtuamento da atividade política, voltada para interesses particulares, a descaracterização dos partidos sem estofo ideológico ao sabor de casuísmos e conchavos, e a grande maioria despolitizada e não-participante.

Textos bíblicos interessantes para a discussão: Ex 18, 13,26 e 1Sm 8, 4-22.

Pra não dizer que não falei das flores

(Geraldo Vandré)

1. Caminhando e cantando e seguindo a canção

Somos todos iguais braços dados ou não

Nas escolas nas ruas, campos, construções

Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora,

que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora,

não espera acontecer (bis)

 

2. Pelos campos há fome em grandes plantações

Pelas ruas marchando indecisos cordões

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão

E acreditam nas flores vencendo o canhão

2. Há soldados armados, amados ou não

Quase todos perdidos de armas na mão

Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição

De morrer pela pátria e viver sem razão

 

3. Nas escolas, nas ruas, campos, construções

Somos todos soldados, armados ou não

Caminhando e cantando e seguindo a canção

Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão

A certeza na frente, a história na mão

Caminhando e cantando e seguindo a canção

Aprendendo e ensinando uma nova lição

 

Todos pela educação de qualidade

Milú Villela

Poucas foram as pessoas que ficaram muito indignadas com os resultados da última Prova Brasil, exame realizado pelo Ministério da Educação para avaliar o desempenho dos alunos do ensino público brasileiro. Não se viu nenhuma manifestação pública importante. Nem se observaram movimentos de desagravo à cidadania.

Parece não chocar tanto quanto seria necessário a conclusão de que um aluno de oitava série no Brasil tem o mesmo nível de conhecimento que um de quarta série de qualquer lugar do mundo.

As conclusões da Prova Brasil estão longe de representar uma novidade. Afinal de contas, os mais recentes testes internacionais do Pisa têm colocado o país na lanterna do ranking mundial de domínio de língua, matemática e ciências.

O fato novo é que, apesar da constatação de que a criança e o jovem brasileiros aprendem menos do que seria necessário, uma pesquisa preliminar feita pelo próprio MEC revela que os pais consideram satisfatório o ensino público. Um equívoco de percepção, sem dúvida, cujas razões ainda precisam ser melhor estudadas. 

A primeira conclusão que se pode tirar é que os pais demonstram um nível baixo de exigência em relação à escola. Ficam felizes com a vaga, delegam mentalmente a missão de educar ao Estado, participam pouco da vida escolar e, de quebra, não conseguem avaliar o que é ou não uma escola em que, de fato, se aprende.

Para romper esse ciclo, será lançado hoje, no museu do Ipiranga, em São Paulo, o Compromisso Todos Pela Educação. Criado a partir de uma inédita aliança entre lideranças da sociedade civil, empresas, MEC, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União Nacional de Dirigentes Municipais de Ensino), o movimento inicia sua jornada sob a orientação de duas firmes crenças.

A primeira é a de que um país só poderá ser considerado independente se suas crianças e seus jovens tiverem um ensino público de qualidade, capaz de prepará-los para os desafios do século 21 -daí a escolha do simbólico 2022, ano do bicentenário da Independência, como ponto de chegada do compromisso.

A segunda se escora na idéia de que o ensino só vai melhorar quando os pais, especialmente, mas também educadores, líderes comunitários, conselhos tutelares e promotores públicos souberem valorizar a educação básica, verificar a sua qualidade e cobrar uma oferta melhor nas escolas de sua comunidade.

Sobre o Compromisso Todos Pela Educação, vale destacar que não se trata de um projeto, um evento ou uma campanha de propaganda para chamar a atenção sobre o tema.

É uma ação permanente de 16 anos, acima de partidos, pessoas e organizações, aberta à participação de todos os brasileiros que atribuem à educação a condição de mais importante política pública para o nosso país.

O compromisso não quer fazer o papel dos governos nem substituir organizações da sociedade civil que já atuam com educação, mas trabalhar em sintonia com eles. Também não deseja intervir diretamente na escola.

Sua proposta de atuação é "qualificar a demanda" por uma educação básica de qualidade, lançando mão de estratégias de comunicação que mobilizem e orientem os diferentes públicos relacionados ao universo da educação, estimulando a avaliação da qualidade da escola.

O diferencial mais importante do compromisso, no entanto, está nos resultados e no modo como os acompanhará.

No esforço de melhorar as condições de acesso e permanência, alfabetização, qualidade, correção de fluxo, conclusão e financiamento, o comitê técnico do compromisso, formado pelos mais importantes pensadores da educação brasileira, sob a coordenação de Viviane Senna, elaborou cinco metas nacionais, simples, desafiadoras e exeqüíveis.

A meta um estabelece que, até 2022, 98% das crianças e jovens de 4 a 17 anos estarão na escola. Hoje, 97% de brasileiros entre 7 e 14 anos estão matriculados na rede pública. Entre 4 e 17 anos, são apenas 88%. A meta dois projeta que toda criança de oito anos saberá ler e escrever. 

A meta três estima que pelo menos 60% dos alunos deverão aprender o que é apropriado para a sua série. Segundo o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), apenas 25% dos alunos atingem esse nível em língua portuguesa, e 10% o atingem em matemática. 

Pela meta quatro, 80% dos jovens deverão ter completado o ensino fundamental até os 16 anos, e 70%, o ensino médio até os 19 anos, o que exigirá um salto importante. A meta cinco trata do financiamento público necessário para suportar o cumprimento das quatro metas anteriores: até 2011, e mantendo pelos 11 anos seguintes, o investimento em educação básica terá de corresponder a 5% do PIB, um significativo avanço em relação aos 3,5% de hoje.  

Atingir as cinco metas nos próximos 16 anos é possível. Mas exigirá de todos os brasileiros paixão pelo tema, esforço concentrado e cooperação entre organizações da sociedade civil, empresas e governos. Chegou a hora de sermos todos pela educação. 

Para que, em 2022, possamos festejar o bicentenário da Independência num país de escola boa e de oportunidades iguais para todos.  

* * *

Milú Villela, 59, é presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do Instituto Itaú Cultural, do Faça Parte -Instituto Brasil Voluntário e do Comitê Executivo do Compromisso Todos Pela Educação.

Artigo publicado pela Folha de SP em 06/09.

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