Círculo Bíblico 1

As comunidades cristãs dos primeiros séculos
Amor a Deus e amor ao Próximo: são a mesma coisa

1. ABERTURA
1. O meu reino tem muito a dizer
não se faz como quem procurou
aumentar os celeiros bem mais e sorriu.
Insensatos, que valem tais bens
se hoje mesmo terás o teu fim?
Que tesouros tu tens pra levar além?

Sim, Senhor. Nossas mãos
vão plantar o teu reino.
O teu pão vai nos dar
teu vigor, tua paz!

2. O meu reino se faz bem assim
se uma ceia quiseres propor
não convides amigos, irmãos e outros mais
Sai à rua à procura de quem
não puder recompensa te dar
que o teu gesto lembrado será por Deus.

3. O meu reino é um apelo que vem
transformar as razões de viver
que te faz desatar tantos nós que ainda tens
Dizer sim e saberes repor
tudo quanto prejuízo causou,
dar as mãos, repartir, acolher, servir!

2. ACOLHIDA

A. (Animador): Vamos juntos pedir a luz e a força do Espírito Santo para que ele nos ajude a caminhar com Jesus.

Vem Espírito Santo, vem!
Vem iluminar.

3. PARTIR DE UM FATO DA VIDA

A.: Neste encontro vamos rezar e refletir sobre as comunidades cristãs dos primeiros séculos. O subtítulo deste encontro diz que amor a Deus e amor ao próximo são a mesma coisa. Mas para os primeiros cristãos, como para nós, isso não deve ter sido muito fácil. Por isso o novo testamento fala tanto do amor...

L1 (Leitor 1): A pergunta é esta: “Hoje, todos falam em amor. O que é amor para você?” Há muitas respostas, nem todas iguais.

L2: Antes de darmos a nossa resposta, vamos ouvir algumas respostas dadas pelos outros:

• “Acho muito difícil amar uma pessoa realmente.”
• “Gosto dos filmes de amor: se é permitido, não sei dizer!”
• “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!”
• “Para a maioria amor é sexo!”
• “Amor é a vida em família bem vivida com a mulher e os filhos.”
• “Amor é o que vejo acontecer em algumas pastorais de minha paróquia”
• “Amar é servir os irmãos.”

L3: E nós, qual a nossa resposta a esta pergunta “O que é amor para você?”

4. MEDITAR A PALAVRA DE DEUS

A.: O texto que vamos ler traz as palavras que Jesus falou na véspera de sua morte. É o “Testamento de Jesus”. Ele fala do amor aos irmãos. Enquanto formos ouvindo a leitura, fiquemos com esta pergunta na cabeça: “Como deve ser o amor?”

L4.: (LEITURA DO TEXTO: JOÃO 15, 12-17)
(Momento de silêncio para a Palavra de Deus poder calar em nós.)

5. REFLEXÃO

A.: Agora, vamos ver como os primeiros cristãos entenderam essa palavra.

L1.: O texto de Eduardo Hoornaert diz que o grupo dos cristãos cresceu muito nos primeiros dois séculos, e “em tempo recorde”. Os livros de história da Igreja diz que isso aconteceu por 5 motivos principais: pela pregação dos apóstolos e bispos, pelo testemunho destemido dos mártires, pela santidade de seus heróis, pelas virtudes e milagres de seus santos e... muito timidamente, porque se organizaram em comunidades de vivência fraterna.

L2.: Mas parece que a história dos historiadores desmente (ou pelo menos corrige) os quatro primeiros motivos apresentados pelas igrejas.

L3.: Muito mais do que feitos grandiosos e homens ilustres, o cristianismo dessa época é um cristianismo “de mãos calejadas e quase nenhuma escrita, de mãos habituadas a lidar com mesa e cozinha, fuso e agulha, enxada e arado, na fonte, na oficina do pisoeiro e do trabalhador na lã, mãos de trabalhadores no campo e na cidade, de escravas domésticas nas casas senhoriais”. Gente simples!

L1.: Portanto, gente esse tipo dificilmente realizava feitos extraordinários. Pelo contrário, os cristãos estavam no meio das outras pessoas, gente simples como eles, vivendo (ou sobrevivendo) e trabalhando junto com eles.

Todos.: O mandamento do amor era vivido de maneira bem prática: no serviço aos irmãos, fossem eles cristãos ou judeus, escravos ou livres, soldados ou madames, gente forte ou doente, viúvas e órfãos.

L2.: No meio desse pessoal e procurando viver o evangelho, os cristãos criaram grupos de vivencia fraterna, de ajuda mútua, onde cada um se sentia importante, se sentia alguém, e não mais um qualquer, um bicho desprezado pelas leis dos ricos e governantes.

L3.: Vamos ler um trecho breve e bonito que ilustra o que acabamos de ver.

L5.: “Defendemos aqui a tese de que o segredo do sucesso do cristianismo no decorrer do século II muito tem a ver com a luta pela cidadania. O jovem movimento resistiu ao encanto de sucessivos levantes contra Roma, tanto nos anos 67-70 como mais tarde, no ano 135, com a revolta palestinense liderada por Bar Kokba, que custou a vida de quase meio milhão de pessoas. Os seguidores de Jesus preferem projetos concretos, mini-utopias realizáveis. Tomemos o caso das comunidades nas grandes metrópoles como Alexandria, Roma ou Antioquia. Os estrangeiros que chegavam em Roma, por exemplo, podiam contar com um eficiente serviço de hospitalidade. Pois o cristianismo romano provém basicamente do povo vindo do Oriente procurar trabalho na grande cidade. As pessoas encontravam acolhida na casa do bispo cristão, hospedeiro por excelência, como atesta [o livro] O pastor de Hermas (talvez esteja aí a origem do prestígio do episcopado na história do cristianismo). A mesa está posta para os recém-chegados. Alimentos são levados para viúvas necessitadas e órfãos. Em algumas comunidades há um serviço regular de alimentação e hospedagem para necessitados, viúvas e órfãos, uma caixa de ajuda para casos de urgência (...). As pessoas oferecem donativos em gêneros alimentícios nos dias de jejum. Outro serviço bem organizado é o do enterro de falecidos, não só os da comunidade mas da vizinhança em geral. Compram-se terrenos para enterrar mortos. Quando alguém cai doente, pode contar com visitas regulares e até, nos melhores casos, encontrar um lugar tranqüilo para se recuperar. Na hora de interrogatórios pelas autoridades, os cristãos se dão mutuamente apoio moral (...) Há um serviço de visita aos presos, e em certos casos um amparo psicológico para os que, desesperados, tentam o suicídio. Assim a comunidade cristã local vira, no dizer de Hermas, um “salgueiro” que protege muita gente, cristãos e pagãos, na amplitude de sua sombra. Eis o segredo do sucesso do cristianismo.”

6. PARTILHA

A.: Vamos agora descobrir o que Deus nos tem a dizer por meio do que acabamos de ler:

• O que mais chamou a sua atenção na leitura que fizemos do Evangelho?

• Como os primeiros cristãos viveram o mandamento do amor?

• Como podemos viver o mandamento do amor hoje, nas nossas comunidades e na nossa cidade? O que já existe de bonito e o que ainda podemos fazer?

• O texto que lemos fala que o cristianismo não cresceu por causa da pregação dos apóstolos e bispos. Para que serve então as epístolas do Novo Testamento (as cartas de S. Paulo, por exemplo)? Ou para que nos reunimos em grupos e pastorais toda semana ou todo mês?

Pai-Nosso.

7. CELEBRAR A PALAVRA

A.: Quais os compromissos da semana / do mês?

8. BENÇÃO FINAL
A.: Que o Senhor nos abençoe, nos guarde e nos livre de todo mal. Amém!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

 

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