A necessidade de discernir

O dom de deixar-se conduzir pelo Espírito

1. Abertura

Indo e vindo, trevas e luz

Tudo é graça, Deus nos conduz.

 2. Partir de um fato da vida

 Neste encontro vamos rezar e refletir sobre a necessidade do discernimento. O subtítulo deste encontro diz que o discernimento é o dom de deixar-se conduzir pelo Espírito...

 A pergunta que hoje nós fazemos é esta: “Em todo lugar se fala de discernir, discernimento. Mas o que é isso para você? Você é uma pessoa que discerne?

3. Meditar a palavra de Deus 

Os sinais dos tempos

Para a Igreja que crê, é Deus quem nos fala nos sinais dos tempos, e por eles o fiel pode distinguir a Presença do Senhor e os Seus desígnios, Sua vontade. E esta boníssima e sábia vontade conduz a pessoa humana a realizar sua vocação integral e a encontrar soluções verdadeiramente humanas para os problemas e desafios da vida.

Sinais dos tempos é uma expressão do próprio Mestre, Jesus:

Os fariseus e saduceus vieram a ele e lhe pediram, para o pôr à prova, que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Mas Jesus lhes respondeu: “Ao entardecer dizeis: — Vai fazer bom tempo, porque o céu está avermelhado; e de manhã: — Hoje, teremos tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis interpretar o aspecto do céu, mas não podeis discernir os sinais dos tempos! Uma geração má e adúltera exige um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas”. E, deixando-os, foi-se embora (Mt 16, 1-4; cf. Lc 19,44 e Mt 12,39).

Quer para o povo de Deus (a Igreja) e suas diversas comunidades, incluindo as famílias (igrejas domésticas), quer para cada pessoa, o discernimento é o dom que permite reconhecer os planos de Deus, acolher suas inspirações, desmascarar o Inimigo, repelindo suas tentações e evitando cair em suas armadilhas. Daí falarmos de “discernimento pessoal e comunitário”. Um não vai sem o outro!

Tudo, porém, é graça. Por isto mesmo o Apóstolo Paulo lista entre os carismas do Espírito, o dom do discernimento:

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade dos ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus quem realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um o Espírito dá a mensagem da sabedoria... a outro, o discernimento dos espíritos... (1Cor 12,4-10).

Discernimento dos espíritos

Esta busca do discernimento dos espíritos é importantíssima para que a pessoa e a comunidade cheguem a reconhecer o desígnio de Deus sobre sua própria vida:

A pessoa chega a bastante clareza e conhecimento pela experiência das consolações e desolações, e pela experiência do discernimento de vários espíritos [Exercícios Espirituais de Sto. Inácio, 176].

Condição para o discernimento

Como se vê, o discernimento do que vem do Espírito de Deus (“inspiração”) e do que vem do espírito mundano (“tentação”) é dom e graça.

Se o discernimento é dom, se é graça, depende da oração. Alguém que não reza, ou reza de maneira mecânica, ou só de quando em quando, ou reza desatento, certamente não tem como discernir espiritualmente.

A condição necessária para o discernimento é a oração autêntica e sincera: a oração que nos muda para nosso Pai e nos converte para seus filhos, nosso irmãos. Daí que o pré-requisito para um pessoa ou família ou comunidade “entrar em discernimento” será a conversão.

O exemplo de Santo Inácio

Inácio foi descrito por um de seus contemporâneos em termos de discernimento:

Inácio seguia o Espírito. Não se adiantava a ele. Desse modo era conduzido com suavidade para o desconhecido. Pouco a pouco, o caminho se abria, e ele o percorria, sabiamente ignorante, com o coração posto simplesmente em Cristo (Nadal).

Inácio tomou consciência do que sentia internamente no seu “recolhimento forçado” (machucado por causa da guerra). Sua “atenção ao interior” permitiu-lhe uma reflexão que, à luz da fé, o conduziu a acolher o dom do “discernimento dos espíritos”. Assim ele começou a distinguir o que é inspiração de Deus, o que é ilusão e tentação.

Ora, é a necessidade dessa “atenção ao interior” que leva a pessoa ou família ou comunidade que discerne à necessidade de recolhimento e silêncio, quer em períodos mais longos, quer em períodos mais breves no dia-a-dia. Os que detestam ou ignoram o silêncio interior e exterior nunca poderão ser pessoas de discernimento.

A necessidade da informação aparece na parábola dos sinais dos tempos. É preciso conhecimento das cores do céu, relacionado-as com o clima. Se não somos gente habituada a reparar no aspecto do céu, temos de nos informar. Toda consulta supõe que recorramos a pessoas experimentadas, que possas nos esclarecer, mas a procura da vontade de Deus em nossas vidas requer, especificamente, que nos deixemos tocar, questionar, mover pelos Evangelhos.

4. Partilha

 Vamos agora descobrir o que Deus nos tem a dizer por meio do que acabamos de ler:

·         O que mais chamou a sua atenção na leitura que fizemos?

·         Quais são as luzes que isso traz para a sua vida e para a vida da Igreja, da comunidade, da família?

·          

Pai-Nosso. 

5. Benção final

Que o Senhor nos abençoe, nos guarde e nos livre de todo mal. Amém!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado. 

6. Bibliografia

Paiva, R., O discernimento. 2ª. Edição revista e ampliada. São Paulo: Loyola, 2004.

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