• A identidade da Pastoral da Juventude

    “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos” (At 2, 44)

     

    1. Ver

    1.1.  Partir de um fato da vida

    A pergunta é esta: O que entendemos por Pastoral da Juventude e por Grupos de Jovens?

    Há muitas respostas diferentes. Vamos partilhar o que achamos de tudo isso com o grupo.

    1.2 Reflexão

    Agora, de uma maneira mais objetiva, vamos ler em pequenos grupos o que a Igreja e alguns estudiosos dizem sobre o assunto:

    PJ:

    Por Pastoral da Juventude (PJ) entende-se a “ação organizada dos jovens que são da Igreja, junto com seus pastores e com toda a comunidade, para aprofundar a vivência de sua fé e evangelizar outros jovens  a fim de que se transformem em homens novos e agentes de construção da nova sociedade, guiados pelos critérios evangélicos” (CNBB). Neste sentido, seu objetivo é “despertar os jovens para a pessoa e a proposta de Jesus Cristo e desenvolver com eles um processo global de formação, a partir da fé, para formar líderes capacitados a atuar nas próprias Pastorais da Juventude, em outros ministérios da Igreja e em seu meio específico, comprometidos com a liberação integral do homem e da sociedade, levando uma vida de comunhão e participação” (CNBB).

     Os Grupos de Jovens tornaram para muitos quase a única forma PJ. Contudo a PJ na Igreja vai além da constituição de grupos. Os jovens estão presentes na vida pastoral da Igreja sob muitas formas: acólitos, leitores, catequistas, monitores do curso de crisma, freqüentadores de curso de atualização teológica (cursos de formação), membros da equipe de liturgia, canto e coral. Cada paróquia ou comunidade conhece essa diversidade enorme de presença da PJ.

     Nas PJ, o processo de educação da fé realiza-se a partir dos próprios jovens e com os jovens. Eles são o ponto de partida e os sujeitos ativos da evangelização dos outros jovens. Esse protagonismo é elemento fundamental da  pedagogia, da metodologia e da organização da PJ.

     Grupo de Jovens:

    Após esses esclarecimentos sobre a PJ, cabe agora uma breve reflexão sobre a identidade de um Grupo de Jovens. Embora não sendo a única forma de ser PJ, o Grupo de Jovens é, sem dúvida, um instrumento privilegiado. Este é, antes de tudo, uma opção pedagógica. Espaço de partilha, exercício de poder, lugar de crescimento comunitário.

     

    Faz parte da vida dos jovens e dos adolescentes viver em grupo. A Igreja, em sua ação evangelizadora, parte dessa realidade e propõe que o grupo seja a base da organização da Pastoral da Juventude do Brasil e das pastorais juvenis específicas, isto é, a partir do ambiente onde vivem os jovens: zona rural, escola, bairro, comunidades ribeirinhas, indígenas etc.

    A Pastoral da Juventude do Brasil aconselha a formação de grupos de até 25 participantes com idade mais ou menos homogênea. O grupo menor favorece a convivência, a formação democrática, pois todos podem ser ouvidos, as pessoas têm oportunidade de se conhecer e se reconhecer. O espaço é fundamental para que os jovens saiam do anonimato, tenham um grupo de iguais que vivem os mesmos dramas e partilham as mesmas inquietações.

    Não é qualquer tipo de grupo que ajuda os jovens a vivenciar o processo de educação da fé. Por isso, um Grupo de Jovens das Pastorais da Juventude tem um jeito próprio de ser: um grupo de vida, em que as pessoas aprendem a partilhar seus problemas, acolher-se e ajudar-se para crescer como gente e como cristãos e para tornar-se agente de transformação da realidade. Reúnem-se periodicamente, se possível toda a semana, na comunidade ou no ambiente específico, para refletir a vida à luz de Evangelho, planejar, realizar alguma ação dentro da realidade em que vivem. É o ambiente onde todos os jovens sentem-se acolhidos, decidem juntos e aprendem uns com os outros.

     Pe. Lanteri e as “Amizades”:

    Nosso querido amigo, Pe. Pio Bruno Lanteri, é sem dúvida um grande inspirador também para a Juventude. Com as associações que animava – que tinham o nome de “Amizades” – organizou a atividade dos leigos católicos para a defesa das verdades do Evangelho, razão pela qual os papas Pio XI e João XXIII o saudaram como precursor da atual Ação Católica –  que no Brasil ficou conhecida como Pastoral da Juventude, entre outras atividades. Eram grupos pequenos, onde seus membros se dedicavam à oração, ao estudo, à partilha de seus sonhos, projetos e experiências vividas; depois, como fruto disso, dedicavam-se à prática do Amor (conforto dos pobres, dos doentes, dos encarcerados, dos marginalizados). Todos falavam e todos ouviam, tanto que o lema das “Amizades” era: “Um só coração e uma só alma”. Pe. Lanteri tinha certeza que somente assim, reunindo-se constantemente e partilhando as alegrias e tristezas, é que os jovens cristãos poderiam dar bons frutos de santidade pessoal e para a construção do Reino de Deus.

     2. Julgar / Avaliar

    Ainda nos grupos pequenos, vamos partilhar aquilo que ouvimos dos nossos irmãos sobre o que eles achavam da PJ. Vamos partilhar também o que acabamos de ler.

    Vamos aproveitar para fazer um pequeno balanço, uma pequena avaliação:

    • De tudo o que ouvimos e lemos, o que já fazemos de positivo?
    • O que precisamos melhorar ou adaptar à nossa realidade?

     3. Agir / Celebrar a Palavra

    Nos grupos pequenos e especialmente no plenário:

    • Quais são as sugestões práticas que brotam dessa nossa conversa?
    • O que podemos fazer para melhorar nosso trabalho com a Juventude?

     4. Bibliografia

    Setores de Juventude e Vocações e Ministérios da CNBB. Assessoria Vocacional a Grupos de Jovens. São Paulo: Loyola, 2001.

    LIBANIO, J. B. Jovens em tempos de pós-modernidade: considerações socioculturais e pastorais. São Paulo: Loyola, 2004.

     Rodrigo Assis Rosa, OMV

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